Astronomia Ciência

Descoberta oficial de água e material orgânico em Mercúrio!

Pela primeira vez, os cientistas confirmaram que o planeta mais próximo do Sol, tem pelo menos 100 bilhões de toneladas de água em gelo, bem como material orgânico em crateras permanentemente sombreadas no seu pólo norte.

Os resultados vieram da nave ‘Messeger’ da NASA, que está em órbita em torno do planeta mais pequeno e mais próximo do sol desde 2011. Os pesquisadores suspeitam que o gelo poderia existir em crateras deste tipo desde 1992, quando as medições de radar baseados na Terra encontraram áreas brilhantes em regiões polares do planeta. Crateras nesta área projectam longas sombras, que impedem qualquer luz solar de as alcançar.

A ‘Messenger’ foi capaz de detectar água congelada porque carrega um espectrometro de neutrões que analisa os neutrões energizados saltando fora da superfície de Mercúrio. A água confere uma assinatura de neutrões muito característica. A nave mediu a área em torno do pólo norte de Mercúrio e encontrou esta assinatura característica, sugerindo que entre 100 bilhões e 1 trilhão de toneladas de gelo de água estava presente naquela área. Mas o espectrómetro de neutrões tem uma resolução bastante baixa, na ordem de centenas de quilometros, por isso não podemos dizer definitivamente se essa água está dentro das crateras. (Se estivessem do lado de fora, as temperaturas diurnas teriam fervido a água.)

Os primeiros resultados que a ‘Messeger’ apresentou eram um quebra-cabeças. Não só porque não havia manchas brilhantes nas crateras permanentemente sombreadas onde as medições de radar sugerem gelo, mas também porque a superfície estava realmente muito mais escura do que a cor média de Mercúrio. “Ficamos realmente surpreendidos com isto”, disse Neumann.

Mas o que dizer das crateras escuras e estranhas? As medições do radar sugerem gelo, mas a ‘Messeger’ não foi confirmando os resultados. Os modelos de temperatura mostraram que estas crateras correspondiam exactamente às regiões que recebem, por vezes, uma pequena quantidade de luz solar difusa. Esta pequena quantidade de energia que aquece a superfície da água congelada é o suficiente para a sublimar. Compostos escuros e orgânicos dissolvidos no gelo ficaram para trás, como resíduos e lentamente formaram uma “tampa” negra com cerca de 20 a 27 cms de espessura, que protegia qualquer resto de gelo de ficar vaporizado por raios solares aleatórios.

O material orgânico é provavelmente feita de hidrocarbonetos, como metano e etano, normalmente encontrados em cometas e asteróides. “Em temperatura ambiente este material seria do tipo viscoso, para usar o termo técnico”, disse o cientista planetário Sean Solomon, do Instituto Carnegie, que lidera a equipe da ‘Messenger’. E porque a camada é relativamente fina, é invisível ao radar.

“Parecem resultados realmente bons e eu acho que são muito convincentes”, disse o cientista planetário Johannes Benkhoff do Instituto de Pesquisa Planetária, na Alemanha, que é o cientista-chefe da missão da Agência Espacial Europeia BepiColombo, que deverá orbitar Mercúrio em 2022.

Além de serem resultados surpreendentes, a descoberta pode ajudar os cientistas a entender melhor a história da Terra. O planeta Mercúrio é terrestre como o nosso e o gelo fornece evidência para uma recente dispersão de água e materiais ricos em carbono para o interior do sistema solar a partir de cometas e asteróides. Este processo, muito provavelmente aconteceu bilhões de anos no passado, quando a Terra se formou, e foram criados os oceanos do nosso planeta e, possivelmente, semeando-os com o materiais para produzir vida.

“Agora há esse registo em Mercúrio, um lugar onde menos se esperava encontrar este processo”, disse Salomão. “Isto dá-nos uma janela para entender este sistema de dispersão”.

Fonte: Space.com

Obrigado por nos dizer como este artigo o fez sentir! Agora conte a todos partilhando - .
Como este artigo o faz sentir?
  • Fora de Mim
  • Fascinado
  • Apoiado
  • Indiferente
  • Assustado
  • Chateado
Partilhas