Cultura Saúde

Transtorno do deficit de atenção com hiperatividade: doença ou diagnóstico da moda?

Embora um diagnóstico correto do TDAH possa melhorar a vida dum paciente, muitos pais optam por medicar os seus filhos para evitar comportamentos que mais não são do que próprios das crianças. Estudos nos EUA e no Reino Unido mostram inclusive que terapias têm melhores efeitos a longo prazo do que o tratamento farmacológico.

Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma síndrome caracterizada por desatenção, hiperactividade e impulsividade causando prejuízos a si mesmo e aos outros em pelo menos dois contextos diferentes (geralmente em casa e na escola/trabalho).” (Wikipedia, OMS). Existem indícios que Leonardo DaVinci, Tomas Edison, Albert Einstein sofreriam provavelmente deste tipo de transtorno.

O número de crianças e jovens com diagnóstico de deficit de atenção com hiperactividade (TDAH ou ADHD na língua inglesa) é cada vez maior. Os números mais recentes mostram que 11% das crianças norte-americanas em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH e que a certa altura da vida, 6.4 Milhões de crianças/jovens, entre os 4 e os 17 anos, foram catalogadas como portadoras de TDAH. Todavia, surgem dúvidas de que, se existe um efectivo aumento desta condição ou se apenas se trata de uma tendência médica para atribuir tal diagnóstico.

TDAH, dizem os especialistas, resulta de níveis incomuns de actividade química no cérebro dos pacientes, que por sua vez afeta a capacidade das pessoas de controlarem os seus impulsos e dirigirem a sua atenção. Embora existam médicos e pacientes que afirmam que esse aumento no número de casos diagnosticados com TDAH ajuda a uma melhor compreensão e tratamento da doença, outros há que acreditam que a medicação é apenas um pretexto para tranquilizar o comportamento das crianças e, eventualmente, para ajudá-los a melhorar suas notas .

Por exemplo, a Ritalina ou o Adderall (medicamentos para TDAH) são vendidos, mesmo nas universidades, entre colegas de escola, para melhorar o desempenho escolar e académico sem qualquer tipo de atenção em relação aos riscos para a saúde. Para o Dr. Thomas Frieden, director do Centro de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA, “a medicação correta para o TDAH, para as pessoas certas, pode fazer uma grande diferença. No entanto, o uso incorrecto parece estar a crescer de uma forma alarmante.”   No entanto, actualmente não há uma forma contundente de afirmar que uma pessoa sofre deste tipo de transtorno: o diagnóstico permanece assim sujeito à avaliação subjectiva do médico.

Para além de existirem várias suspeitas de que os psiquiatras diagnosticam cada vez mais drogas legais (por causa de acordos comerciais com a indústria farmacêutica), os pais parecem estar também a incentivar o diagnóstico da TDAH: “Há uma pressão enorme dos pais, em casos de crianças com um comportamento percebido ou dito anormal, pelo simples facto de que se não permanecem calmamente sentadas à mesa, será patológico e não simplesmente típico da fase infantil que atravessam”, diz o Dr. Jerome Groopman, professor de medicina na Universidade de Harvard.

adhd_schoolMedicamentos como o Adderall, a Ritalina, Concerta ou Vynvanse podem ajudar a melhorar a concentração e garantir um estado de atenção entre aqueles que usam, levando a que pais e pacientes possam secretamente “desejar” o diagnóstico de TDAH como um atalho para melhorar as notas e classificações, tão valorizadas no sistema actual de ensino, esquecendo que estas são substâncias que tomadas inadequadamente podem afectar a saúde.

Recentemente outro tipo de respostas alternativas a este tipo de transtorno têm ganho algum relevo, nomeadamente recorrendo a exercícios de relaxamento e alterações do estilo de vida que propiciam o auto-conhecimento dos pacientes.

Fonte: NY Times, Sottnet

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