Ciência Genética Polémico

OGM NUNCA! O perigo iminente…

Corn in the cob with genetically modified sticker

001 OGM é a sigla de Organismos Geneticamente Modificados, organismos manipulados geneticamente, de modo a favorecer características desejadas, como a cor, tamanho etc. OGMs possuem alteração em trecho(s) do genoma realizadas através da tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética.

Na maior parte das vezes que se fala em Organismos Geneticamente Modificados, estes são organismos transgénicos. OGMs e transgénicos não são sinónimos: todo transgénico é um organismo geneticamente modificado, mas nem todo OGM é um transgénico. 002Um transgénico é um organismo que possui uma sequência de DNA, ou parte do DNA de outro organismo, pode até ser de uma espécie diferente. Enquanto um OGM é um organismo que foi modificado geneticamente, mas que não recebeu nenhuma região de outro organismo. Por exemplo, uma bactéria pode ser modificada para expressar um gene bem mais vezes. Isso não quer dizer que ela seja uma bactéria transgénica  mas apenas um OGM, já que não foi necessário inserir material externo. Sempre que inserimos um DNA exógeno num organismo esse passa a ser transgénico.

O mito de que os OGM ( vão acabar com a fome no mundo é mais uma mentira. Na realidade a utilização de OGM não revelaram um aumento da produtividade. Mais grave ainda, os pequenos agricultores ficam dependentes das multinacionais, como Monsanto, quanto à compra de sementes, adubos e pesticidas.

Nos Estados Unidos, 90% da soja e 70% do milho plantados são transgénicos.  Um grupo independente de cientistas do Union of Concerned Scientist (UCS), publicou no dia 14 de maio de 2009, um estudo que prova que a produção com recurso aos OGM não melhorou o rendimento agrícola em comparação com as culturas feitas com sementes tradicionais.

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O monopólio da Monsanto

A empresa Monsanto controla 95% da produção mundial de OGM. Está presente em 46 países, com 17 500 empregados e tem um volume de negócios de mais de 8 mil milhões de Dólares. Nos últimos anos comprou mais de 50 empresas do ramo alimentar e farmacêutico para dominar o mercado mundial de sementes e investigação agrícola. Na Índia quase todo o algodão cultivado é OGM, as sementes de Monsanto têm um preço quatro vezes mais elevado do que as tradicionais e necessitam da mesma quantidade de pesticida. Uma praga, em 2006 nesse país, destruiu grande parte das culturas de algodão transgénico e mais de 700 camponeses suicidaram-se em seis meses. No Paraguai, no Brasil e nos Estados Unidos, alguns agricultores tiveram as suas culturas contaminadas por OGM e tiveram que pagar à Monsanto “royalties” sem nunca terem tido a intenção de produzir OGM. A batalha dos OGM esconde enormes interesses financeiros. O colocar um gene artificial numa determinada planta, estas multinacionais obtêm a patente dessa planta, portanto são donas delas.

Primeiro Estudo Independente denuncia OGM

Cientistas franceses alertam para os riscos na saúde dos mamíferos de três variedades de milho transgénico que já receberam luz verde para a comercialização na UE. Os cientistas das Universidades de Caen e Rouen e do instituto de investigação CRIIGEN tiveram acesso aos dados em bruto dos testes confidenciais da multinacional Monsanto, os mesmos testes que permitiram a autorização internacional para o comércio de três variedades de milho geneticamente modificado (MON810, MON863 e NK603). Mas a contra-análise feita pelos cientistas franceses chegou a conclusões muito diferentes.

Corn in the cob with genetically modified stickerOs riscos associados ao consumo destes OGM verificam-se de forma diversa, consoante o sexo e a dose, sobretudo ao nível do fígado e dos rins, bem como do coração e das glândulas supra-renais. Todas as variedades apresentaram resíduos de pesticidas que estarão presentes na alimentação humana e nas rações animais, colocando em perigo a saúde pública.

Os investigadores apelaram à proibição imediata da importação e cultivo destes OGM e recomendam estudos dos efeitos a longo prazo (até dois anos) e multigeracional em pelo menos três espécies de animais para se chegar a conclusões cientificamente válidas e definitivas sobre o efeito tóxico dos Organismos Geneticamente Modificados. O CRIIGEN denunciou também as agências francesas e europeias de segurança alimentar por terem considerado os produtos em causa como estando livre de riscos, baseados apenas em 90 dias de testes em ratos de laboratório. Os cientistas dizem também que existe um conflito de interesses e incompetência destas instituições para re-analisarem os dados presentes neste estudo, uma vez que já deram parecer favorável com base nos mesmos testes, ignorando os efeitos secundários. O trabalho destes investigadores foi considerado o maior e mais detalhado estudo dos efeitos destas três variedades OGM na saúde dos mamíferos. Mas só foi possível após os governos europeus terem conseguido os dados em bruto dos testes da Monsanto, disponibilizando-os publicamente para o escrutínio da comunidade científica.

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Em Novembro, a multinacional Monsanto decidiu retirar à última hora o pedido de aprovação das variedades de milho transgénico LY038 e ao cruzamento LY038xMON810, pedindo a devolução de toda a documentação associada, incluindo os testes, o que foi aceite pela entidade reguladora europeia e causou grande decepção na comunidade científica, impedida de analisar aqueles dados. Para o CRIIGEN, a decisão da Monsanto teve pouco que ver com o interesse comercial e mais com a segurança alimentar. O LY038 foi aprovado em 2005 nos Estados Unidos, seguindo-se o Japão, Canadá, Filipinas e Coreia do Sul. Mais tarde foi também aprovado na Austrália e Nova Zelândia, apesar da oposição de políticos e cientistas. As reservas europeias na aprovação desta variedade OGM ficaram a dever-se precisamente à persistência da investigação por parte de cientistas independentes neo-zelandeses sobre a candidatura da Monsanto. Não perca o pequeno documentário abaixo e saiba exactamente o que está a fazer ao consumir produtos transgénicos ou geneticamente modificados, e partilhe este artigo com o máximo de pessoas que puder!

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  • Dani Silva
    Isto está a ficar bonito… Em breve, só estaremos seguros ao plantar a nossa própria comida…
    • O Questionador De Tudo
      Acho que é assim há tempos.
  • Alex
    O nível muitas vezes maior de regulamentação dos OGM são a grande causa do seu alto preço. Se não houvesse tanta controvérsia desnecessária com relação a modificação genética, não necessitariam de gastar tanto e como consequência os preços cairiam. Há um debate sobre isso na Science, ajuda a esclarecer o assunto.

    http://video.sciencemag.org/SciOriginals

    • Guest
      Concordo em parte.

      O grande problema disto tudo não é os problemas de saúde causados pelos transgénicos (que a curto prazo não existem, e o estudo francês referido foi ele próprio alvo de imensa controvérsia por não ser válido devido à má ciência que o “valida”), mas sim os monopólios criados em volta de grandes empresas como a Monsanto.

      Sou totalmente favorável à luta contra este tipo de monopólios que de benéfico não têm nada, mas também sou contra a histeria mal informada que se gera à volta deste assunto.
      Mas uma coisa é certa: a causa da fome do mundo não é a inexistência de comida, mas a sua distribuição. E a sua distribuição completamente assimétrica é, em causa, provocada por empresas e por políticas que favorecem dinheiro acima de qualquer humanismo. E não me parece que dar demasiado poder a uma empresa que lida com um bem essencial como são os alimentos vá ajudar nesse aspeto, muito pelo contrário.
      Resumindo: transgénicos sim, monopólios não.

      • Alex
        De fato, e é uma coisa que é levantada pelos cientistas indianos neste debate. O poder da Monsanto não ajuda, mas se você for pegar o caso da Índia, o Governo em grande parte é culpado por não financiar pesquisas internas que deem alternativas para os agricultores. Eu fico preocupado com o tipo de sensacionalismo levantado no site, que claramente possui agenda politica contra a Monsanto, e com isso levanta bandeiras contra toda a industria e tecnologia de geneticamente modificados. Acho que se a controvérsia fosse menor, e o incentivo maior (o que ajuda a criar mais interesse para os estudantes na área, que muitas vezes desistem por medo de não conseguir avançar nas pesquisas, outro ponto levantado no debate) não haveria uma empresa monopolizando este mercado.
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