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Síria – serão as armas químicas o principal motivo do conflito?

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Serão realmente as armas químicas o motivo pelo qual Obama e os EUA pretendem uma ofensiva militar? Ou será apenas uma forma de  moldar a opinião pública a concordar e legitimar, tal e qual aconteceu na história mundial inúmeras vezes (ex: incidente da Manchuria, Pearl Harbour, armas de destruição maciça no Iraque e tantas outras bem mais polémicas).

  Obama persegue a Síria para assegurar os gasódutos para os Muçulmanos Sunitas. A «cruzada» norte-americana para bombardear a Síria nada tem a ver com as armas químicas utilizadas contra o povo sírio. Estas armas são apenas uma fachada e Obama pretende desesperadamente destituir Bashar al-Assad do poder pelos motivos descritos mais a baixo. São vários os participantes neste «jogo de poder» mundial: a Turquia, os EUA, Iraque, Arábia Saudita, Irão e Russia. A Turquia e a Arábia Saudita estão desesperados por que Assad saia do poder Sírio. Chaos-in-Syria Após a Russia ter proposto uma solução pacífica que passa pela cedência do controlo das armas químicas sírias à comunidade internacional, Obama pediu o adiamento da votação no Congresso sobre a intervençao militar norte-americana na Síria. Segundo o jornalista Aaron Klein, informadores de inteligência do Médio Oriente reportaram que os EUA passaram uma mensagem ao Presidente Assad por intermédio da Rússia oferecendo uma proposta que assegura que os EUA não intervirão militarmente se o líder Sírio concordar com os seguintes termos: – Reformas políticas sérias que resultarão em eleições justas e livres – Assad não poderá concorrer e renunciará ao cargo de presidente. – Um comité internacional  supervisionará o arsenal de armas químicas sírio. – A comunidade internacional, com a participação dos EUA, apoiará a reconstrução do exército Sírio e os serviços de segurança interna de modo a assegurar a participação de todas as diferentes facções da população. Mas vejamos um pouco da história por trás deste conflito. Em 2011 a Sìria anunciou ao mundo que tinha encontrado um campo de gás bastante promissor. O Ministro Sírio Sufian Allawai disse na altura que “os primeiros poços serão feitos em Qara e equivalerá a 400 mil metros cúbicos por dia”. Estas foram notícias fantásticas para a economia Síria. A acrescentar a isto, a Síria desempenha um papel fundamental em termos geográficos com localização de gasódutos para a Europa. Entretanto, o Qatar, onde se localiza o maior campo de gás natural, junto com o Irão, propuseram um gasóduto desde o Golfo até a Turquia, que atravessaria a Síria até ao Mediterraneo, para depois ser enviado para a Europa. Em 2009, Assad recusou a proposta do Qatar e iniciou negociações com a Rússia e o Irão, relembrando a recusa de Saddam Hussein em negociar em doláres em prol de Euros antes da guerra do Iraque.pipeline O chamado «gasoduto islâmico» está previsto entrar em funcionamento em 2016. De facto, Irão, Iraque e Síria assinaram propostas em 2011 para construírem esse gasóduto de 6 mil quilómetros que irá desde o Irão até à Europa. Este gasoduto tri-partilhado será o maior do médio oriente e a melhor refinaria será em Damasco. Este gasóduto poderá criar problemas energéticos ao Qatar e à Turquia. Para piorar a situação, a maioria dos Árabes considera este gasóduto islâmico como pertencente aos Xiitas ou a favor dos seus interesses pois é apoiado pelo Irão maioritariamente xiita, passando pela parte xiita Iraquiana e da Síria. Assim, as nações Sunitas do Golfo como a Turquia e a Arábia Saudita aliadas dos EUA, ganham razões económicas, políticas e religiosas para estarem contra este gasóduto. A oposição é feita pelo apoio geral aos rebeldes na destabilização da nação. Esta é uma das razões pelas quais os EUA fornecem armas pela Turquia aos rebeldes sírios. As nações Árabes terão inclusive proposto cobrir todas as despesas militares norte-americanas dum ataque à Síria segundo o secretário de estado norte americano John Kerry. Ao mesmo tempo, a Al Qaeda também se opõe ao governo de Assad, por achar que Assad favorece mais os muçulmanos xiitas e pretendendo instaurar um governo com tendências mais Sunitas. Por sua vez, a Russia, aliada do Irão tem ajudado a proteger esse gasóduto nos portos de Latakia e Tartus. arabputinA Arábia Saudita é a nação que está mais interessada no derrube do governo de Assad e inclusive o príncipe Bandar bin Sultan (que é suspeito de ser o «responsável» pelos ataques com armas químicas) terá proposto à Russia a compra de armas no valor de $15 biliões e outros investimentos elevados no país se a Russia «desistir» de «defender» a Síria. Terá inclusive assegurado a Putin que “qualquer que seja o regime que substitua o actual de Assad e que esteja sob o controlo saudita, não fará concorrência à Russia”. Putin terá recusado a oferta. nabuccoPor outro lado, o gasóduto «Nabuco» pretendido por muçulmanos sunitas consiste numa peça fundamental para o fornecimento de gás natural à União Europeia, consistindo numa forte concorrência à Russia, fornecedora de gás da Europa. Este gasóduto passará pelo Azerbeijão, Georgia, Turquia, Bulgaria, Roménia e Hungria. Quando Assad for demovido, a Turquia pretende que esse gasoduto passe pela Síria e daí querer uma mudança para um regime mais favorável aos Sunitas. No entanto as ambiçoes deste projecto do gasoduto Nabucco estão cada vez mais próximas de ilusão que da realidade, nomeadamente quando em Maio de 2012 o consórcio responsável voltou atrás na construção do segmento Turco e focar-se mais no segmento europeu. Este projecto é demasiado ambicioso e a Turquia tem encontrado diversos problemas em encontrar parceiros e fornecedores com custos razoáveis. Face a tudo isto é claro e legítimo perceber que o ataque norte-americano pouco terá a ver com as armas químicas. No entanto esperamos que quem as tenha usado seja realmente punido. Fonte: The Examiner, Fontes no próprio texto  

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