Polémico Política

Provas escondidas contra o casal McCann provocaram jogos políticos…

Num telegrama obtido pelo Wikileaks, o embaixador do Reino Unido diz ao congénere dos EUA que foi a polícia inglesa que descobriu provas que incriminavam os pais da menina desaparecida.

A História

001Madeleine McCann (Leicester, 12 de Maio de 2003) é uma menina inglesa que desapareceu em Portugal, quando se encontrava com os seus pais, irmão e irmã de férias na Praia da Luz, no Algarve.
O desaparecimento de Madeleine McCann ocorreu na noite de quinta-feira, 3 de maio de 2007 quando foi dada como desaparecida do seu apartamento em Praia da Luz, Algarve, Portugal, onde tinha sido deixada sozinha com os seus dois irmãos. Madeleine, então com quase quatro anos de idade, que estava no seu quarto, sem adultos, na companhia dos seus dois irmãos gémeos de apenas dois anos, foi inicialmente dada como tendo “saído” pelos seus próprios meios pela polícia, enquanto que os pais estavam convencidos que tinha sido raptada. O seu desaparecimento tornou-se uma das notícias mais notórias quer pela rapidez com que e iniciou a divulgação das notícias quer pela longevidade e pela massiva cobertura pelos órgãos de informação. O jornal britânico The Daily Telegraph às 00:01 da madrugada do dia 4 de Maio já fazia manchete com o artigo “Three-year-old feared abducted in Portugal” (“Teme-se que menina de 3 anos tenha sido raptada em Portugal”) quando a polícia portuguesa ainda mantinha essa hipótese afastada. Movimentações políticas, e a subserviência portuguesa aos meios britânicos, levou a que imediatamente se procedesse a uma investigação de rapto.

Quem são os intervenientes e como tudo ocorreu?

Madeleine Beth McCann é a filha mais velha de Kate McCann, médica anestesista e de clínica geral, e Gerry McCann, cardiologista no Hospital Glenfield em Leicester. Madeleine, que tinha dois irmãos gémeos, Sean e Amelie, de dois anos, vivia com a sua família em Rothley, Inglaterra. Uma marca característica de Maddie (como ficou conhecida) é o seu olho direito que tem um tipo de coloboma, um alastramento completo da íris (uma faixa radial que se estende da pupila até ao limite do olho).

Fase inicial

indexA primeira declaração oficial da Polícia Judiciária (PJ), feita por Guilhermino Encarnação, às 12h00 de sábado dia 5 de Maio, revela haver suspeita de crime de rapto da criança e da existência de um “esboço” de um eventual suspeito. A Polícia Judiciária referiu a 6 de Maio terem identificado um suspeito e que a criança deveria estar viva e ainda na área. Cães treinados farejaram o aldeamento do resort, que tem uma capacidade de cerca de mil pessoas. No entanto, a 8 de Maio, cinco dias após o desaparecimento, a Polícia Judiciária admitiu não ter certeza quanto ao estado de Madeleine.
A 7 de Maio é anunciado que a PJ pediu ajuda do SIS que entrou em contacto com as suas congéneres espanhola e inglesa. A 9 de Maio, a Interpol lançou um alerta amarelo a todos os seus membros e os media portugueses revelaram que a PJ seguia duas linhas de investigação: o rapto por uma rede internacional de crimes relacionados à pedofilia ou o rapto por uma rede de adopção ilegal.

Especialistas britânicos chegaram para assistir as autoridades nacionais nas investigações e a polícia de Leicestershire enviou representantes para ajudar a família. Foi ainda noticiado que a polícia britânica informou a polícia portuguesa que cerca de 130 ingleses abusadores de menores estiveram no Algarve, semanas antes do rapto de Madeleine, com o conhecimento das autoridades inglesas. A 11 de Maio, o local de investigação foi declarado livre após a não obtenção de resultados. Depois, a 13 de Maio, a polícia admitiu pela primeira vez que não tinham qualquer suspeito em vista. A única via de investigação que estavam dispostos a revelar consistia na examinação de fotografias tiradas por turistas.

murat1Murat e Malinka

Às 7 horas de 14 de Maio foram iniciadas buscas na Casa Liliana, propriedade de Jennifer Murat, cidadã britânica, perto do apartamento do desaparecimento de Madeleine. A polícia e equipas de investigação forense selaram a casa, e às 16h00 a piscina foi drenada. Três pessoas, incluindo o seu filho Robert Murat, foram interrogados na esquadra em Portimão. Robert, um visitante frequente do aldeamento, gerou suspeitas a Lori Campbell, uma jornalista do Sunday Mirror, que informou a polícia do facto. Uma antiga colega de escola, Gaynor de Jesus, disse não ter conhecimento de que Murat fosse o tradutor oficial da polícia. Robert Murat afirmou estar profundamente preocupado com o caso de Madeleine devido à perda recente da custódia da sua filha de três anos que é parecida com a menina desaparecida. Não foram efectuadas detenções. Na lei portuguesa, as detenções só podem ser efectuadas após alguém ser indiciado oficialmente como arguido; até lá são considerados testemunhas do processo. A 15 de Maio, Robert Murat recebeu o estatuto de arguido mas não foi detido nem acusado. Não é claro se foi Murat ou a polícia que pediram o estatuto de arguido, pois este confere direitos adicionais ao arguido tais como o direito de permanecer em silêncio. Desde essa altura Murat está ausente em parte incerta havendo quem defenda que foi forçado a ir para Inglaterra para interrogatórios e investigações.

O inspector Olegário de Sousa disse em conferência de imprensa a 15 de Maio que tinha sido interrogada uma pessoa de 33 anos, mas não foram encontradas evidências que justificassem a sua detenção. Sousa referiu que a polícia efectuou buscas em cinco residências e apreendeu “vários materiais” das propriedades que estavam sujeitas a investigação e que haviam interrogado duas outras pessoas na qualidade de testemunhas. O suspeito assinou uma declaração de identidade e residência que o impede de se deslocar ou sair do país, e que requer deslocações regulares às instalações da polícia. Apesar de não terem sido referidos nomes na conferência de imprensa, acredita-se que o suspeito seja Robert Murat e os restantes inquiridos a sua alegada companheira Michaela Walczuch, alemã, e o seu ex-marido, Luís António.
Apesar da relutância de Murat em prestar declarações públicas, ele declarou que o caso “arruinou” a sua vida e que a única hipótese de restituir o seu bom nome é a captura dos raptores de Madeleine. Murat disse ainda que tem sido um “bode expiatório dos ingleses” para que a polícia dê a sensação de obtenção de resultados.
A 16 de Maio, acreditava-se que dois carros utilizados pelos Murat haviam sido examinados, e confiscados computadores, telemóveis e várias cassetes de vídeo dos seus pertences pessoais. Foi também dado a conhecer que o arquitecto que projectou o aldeamento no qual residem os Murat foi ignorado ao comunicar à polícia a existência de uma cave escondida na propriedade. Era convicção igualmente que a polícia levou para interrogatório Sergey Malinka, de origem russa, de cuja residência as autoridades também confiscaram um computador portátil e dois discos rígidos. Malinka concebeu um website para Murat. De acordo com a imprensa portuguesa, Malinka foi anteriormente acusado de abuso sexual infantil e ser um técnico informático de boas relações com Robert Murat, dado que se comunicam frequentemente por telefone desde o desaparecimento de Madeleine – os motivos que levaram as autoridades a suspeitar.

No dia seguinte, foi dada uma conferência de imprensa na qual o inspector Olegário de Sousa reafirmou a insuficiência de evidências para efectuar uma detenção. Sobre Sergey Malinka, a polícia afirmou ter sido inquirido na qualidade de testemunha durante aproximadamente cinco horas, o que não significa, dada a natureza dinâmica da investigação, que se possa tornar suspeito.
Malinka fez uma apreciação negativa da cobertura do caso pelos media portugueses, que alegaram que ele havia sido condenado por abuso sexual infantil, e negou haver contactado Murat e que é “completamente inocente”. A 18 de Maio, no entanto, emergiram inconsistências nas suas alegações acerca do seu relacionamento com Robert Murat; embora tenha referido que não contactava Murat há mais de um ano, disse três meses a um outro repórter enquanto que os registos do telemóvel de Murat alegadamente revelam que este contactou Malinka às 23:40 do dia do desaparecimento de Madeleine.

A 19 de Maio, investigadores portugueses deslocaram-se a Londres para entrevistar Dawn Murat, a mulher de Robert Murat. A 23 de Maio, os investigadores reentrevistaram testemunhas ligadas a Murat; a sua companheira alemã Michaela Walczuch, e o seu ex-marido Luís António, o que faz pressupor o interesse renovado da polícia em torno de Murat.

Setembro de 2007

Após meses de investigação, a Polícia Judiciária (PJ) interroga os pais de Madeleine. Saem ambos como arguidos e sujeitos a termo de identidade e residência, através da suspeita do homicídio acidental causado por negligência ou excesso de medicação calmante na criança. A corroborar os factos, vários indícios de fluidos corporais com o ADN da criança encontrados num carro alugado pelos pais mais de vinte dias após o desaparecimento, que indiciam o transporte do corpo da menina.

Tem sido notável a actuação dos media britânicos, apontando “falhas” na investigação policial (Sky News e The Sun). Suspeitas que o relacionamento entre os pais de Maddie e o actual primeiro-ministro britânico possam estar por trás duma imensa campanha politizada, que implicou até audiência papal, têm sido apontadas por vários meios noticiosos televisivos portugueses (Francisco Moita Flores, na RTP a 8 de Setembro de 2007).

Após ter sido noticiado que McCann “terão todo o gosto em continuar a cooperar com as autoridades portuguesas para descobrir a verdade sobre o que aconteceu a Madeleine” uma fonte próxima revela que os McCann não conseguem decidir se devem ou não cooperar completamente com a PJ. Apesar de publicamente terem negado, ainda em Maio do mesmo ano os MacCann contrataram, sem o conhecimento da PJ, uma firma de investigação privada que usa os serviços de ex-membros dos serviços secretos e forças especiais, apesar de terem sido informados que era contra a lei, porque temiam que a PJ desse a sua filha como morta. Em Agosto “disseram não compreender por que é que a polícia portuguesa passou a defender a tese de que Madeleine está morta” apesar de oficialmente nenhuma fonte policial ainda o tivesse confirmado. Só cem dias após o desaparecimento de Madeleine a polícia admite que ela possa estar morta.

Caso global e dinheiros

É importante mencionar que todo o movimento a nível mundial Look for Maddie, mais tarde Find Madeleine, conseguiu arrecadar verbas que ascendem a mais de 10 milhões de euros e que todos os serviços privados contratados pelos McCann, apesar de disporem de muitos recursos, até à data não obtiveram quaisquer resultados.

Gonçalo Amaral

GoncaloAmaral5Gonçalo Amaral, o ex-inspector da Polícia Judiciária inicialmente responsável pela investigação e afastado por razões dúbias e jogos de influências políticas, acredita que a menina inglesa morreu no quarto e que os pais não estão isentos de culpa tendo simulado o rapto de forma fria e calculista.

“Madeleine McCann morreu no apartamento 5ª do Ocean Club, na Vila da Luz, a 3 de Maio de 2007”, escreve Gonçalo Amaral, segundo os resultados obtidos pela equipa de investigação do caso até Outubro de 2007. “Ocorreu uma simulação de rapto” e os pais, Kate e Gerry, “são suspeitos de envolvimento na ocultação do cadáver da sua filha”, acrescenta o ex-inspector da PJ.

Gonçalo Amaral salienta que “a morte poderá ter sobrevindo em resultado de um trágico acidente” e que foram detectados “indícios de negligência na guarda e segurança dos filhos”. Um facto é que “há um cadáver não localizado, constatação validada pelos cães ingleses (…) e corroborado pelos resultados laboratoriais preliminares”.

Nas suas conclusões, Gonçalo Amaral salienta ainda que “a tese de rapto é defendida desde a primeira hora pelos pais de Maddie” e que no seio do grupo de amigos que passava férias no Ocean Club apenas Kate e Gerry disseram que a janela do quarto da menina estava aberta.

Wikileaks revela telegrama

Existe apenas um telegrama dos obtidos pelo Wikileaks que fala sobre o caso Madeleine McCann e, tal como revela o El País, resulta de uma conversa entre os embaixadores do Reino Unido e dos EUA em Lisboa em finais de 2007.

O primeiro conta ao segundo que foram os polícias britânicos que se deslocaram ao Algarve que descobriram as provas que incriminavam Kate e Gerry McCann pelo desaparecimento da pequena Maddie a 3 de Maio desses mesmo ano na Praia da Luz.

Uma revelação que é totalmente contraditória com aquilo que foi noticiado na altura, nomeadamente pela Imprensa britânica, que chegou muitas vezes a por em causa o trabalho de investigação da Polícia Judiciária. Recorde-se que os pais de Maddie foram constituídos arguidos pela justiça portuguesa, decisão que provocou grande celeuma entre os dois países. Afinal, segundo o telegrama, é o próprio embaixador britânico que confidencia que foram as autoridades inglesas que encontraram as provas que faziam dos denunciantes os principais suspeitos.

Richard Ellis, que acabava de chegar a Lisboa, visita o seu colega norte-americano e os dois abordam o assunto que corria, na altura, o mundo inteiro. Ao contrário do que transparecia para a opinião pública, o diplomata britânico revela que as policiais de Portugal e do Reino Unido estavam coordenadas e que tudo era tratado com o máximo de sigilo.

Tendo em conta os jogos de influência política e policial e os enormes valores monetários envolvidos neste caso deixamos a si a autonomia de pensar o que achar mais correcto… nós estamos com as investigações portuguesas e Gonçalo Amaral e repudiamos toda a acção das forças inglesas (media, os McCann e Scotland Yard) em território nacional. Infelizmente Maddie está morta e os pais são culpados por negligência e ocultação de cadáver.

 

Fonte: Jornal de Notícias, Diário de Notícias, Wikileaks, Público e Wikipedia

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  • Ricardo Carvalho Vieira Matos

    Só não percebo qual foi até agora a dúvida relativamente a este caso. Foi uma demonstração de influencia política dos McCann e de força diplomática do Governo Britânico. A nossa subserviência aos Ingleses aconteceu mais uma vez e quem pagou o pato foi Gonçalo Amaral, ex- Inspector da PJ. À, é verdade, e a menina que morreu.

  • Dulce

    Sempre disse que foram os pais mas como têm amigos influentes ficaram elibados do caso,mas a justiça divina é mais poderosa e dela não podem fugir :/

    • otilia carriço

      para mim a morte da menina é como certa ,e os pais não estão isentos disso ,por acidente ?talvez e o mais provável ,depois quiseram fazer ver que o rapto era o mais credível ao mesmo tempo um negocio que veio a ser muito rentável

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