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Existe ou não um Corpo Celeste de grandes proporções a caminho do nosso Sistema Solar?

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Desde há pelo menos uns 5 anos que os teóricos da conspiração afirmam que brevemente seremos visitados no sistema solar por um enorme planeta a que chamam Planeta X. As teorias não são nada animadoras e, como sempre, prendem-se a catástrofes e fins do mundo. O problema é que astronomicamente, cientificamente portanto, existe de facto a presença de um corpo celeste de gigantescas proporções que aparentemente se aproxima do sistema solar, ou nós dele, e ninguém fala disso a não ser nas revistas da especialidade e artigos científicos.

Teoria Conspiradora do Planeta X

Tudo começou no século XIX quando alguns astrónomos propuseram que as alegadas irregularidades observadas na órbita do planeta Neptuno e de outros gigantes gasosos pudessem ser causadas por um hipotético planeta que por razões várias não podia ser observado. Chamaram-lhe o ‘Planeta X’ (não X de 10 romano mas X de incógnita variável). Durante muito tempo a procura incessante por este planeta foi quase obstinada e permitiu inclusive a descoberta do, agora planeta-anão, Plutão.
Para a comunidade científica, o sobrevoo de Neptuno pela sonda espacial Voyager 2 permitiu a obtenção de uma medição mais precisa para a massa deste planeta e cálculos posteriores, baseados no novo valor para a massa, demonstraram que as irregularidades orbitais na verdade não existiam e se tratavam de ilusões de óptica.

533789_452395834795623_1166317479_nMas os teóricos não desistiram e mais tarde baseados nas traduções sumérias de Zacharia Sitchin a relevância do Planeta X aumentou exponencialmente e trouxe às várias comunidades material de comparação importante.
Os antigos sumérios, tidos como a primeira civilização avançada da antiguidade que surgiu praticamente de um dia para o outro em termos de proporção temporal, já registavam que o nosso sistema solar é de natureza heliocêntrica onde 11 corpos celestes de maiores dimensões e efeitos circulam em órbitas em torno do Sol. A imagem representa um importante selo cilíndrico sumério e mostra claramente que não só conheciam esta realidade astronómica como conheciam as proporções aproximadas dos tamanhos dos 11 corpos celestes de maior importância. Neste mesmo selo existe um 12º corpo celeste relativamente grande que é descrito como sendo afastado do sistema solar em si… Este seria Nibiru!
Nibiru é um termo acadiano que significa cruzamento, ou ponto de transição, e que o tradutor decidiu usar pela semelhança com a escrita cuneiforme de Né-Bé-Ru.

Infelizmente, como em muitas outras situações do conhecimento histórico e humano, quando alguma nova ‘verdade’ transpira para o público em geral a melhor forma de desmontar esse conhecimento, desacreditando-o antes que este abane os programas educativos mundiais, é lançando teorias da conspiração que ridicularizam a validade deste conhecimento.

Recentemente tentou fazer-se crer que o final da era Maia, a 21/12/2012 estaria ligado ao retorno de Nibiru ao nosso sistema solar e inclusive à grande possibilidade de este embater contra o nosso planeta e/ou interferir gravitacionalmente de forma catastrófica ao passar próximo da nossa órbita. Todavia a verdade é só uma, não existe qualquer escrito sumério ou científico que apoie esta ideia escatológica e mais de 90% das alegadas provas desta aproximação do Planeta X foram facilmente desmontadas e desmentidas como sendo montagens, efeitos ópticos ou simples ‘lixo’ espacial.

Quem mais fala deste corpo celeste?

São inúmeras as civilizações desaparecidas, ou não, que mencionam a chegada de um corpo celeste de dimensão mais ou menos gigantesca. Desde os Hopi com a sua estrela azul, os babilónios que continuam a história iniciada pelos sumérios, algumas histórias mitológicas de origem greco-romana e egípcia entre muitos outros. Com nomes que vão de Planeta X a Nibiru, passando por Estrela da Morte, Gigante Vermelho, Kachina a Hercolubos.
Este último, Hercolubos, é um suposto planeta, descrito pelo autor Joaquín Amortegui Valbuena (conhecido pelo pseudônimo de V. M. Rabolú), no seu livro «Hercolubus or Red Planet». Segundo ele, esse planeta estaria se aproximado perigosamente da Terra, como no passado, quando teria destruido Atlântida, que no caso era a Pequena Atlântida da qual Noé é um dos sobreviventes.

Como adenda, também a Bíblia vaticina a chegada de uma estrela calamitosa ou corpo celeste de grandes dimensões em várias passagens, por exemplo em Apocalipse 8:11: : “E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas.”

harringtonMas o que movimentou a comunidade científica?

Além de todo o burburinho de astrónomos desde o século XIX, em 1988 o Dr. Robert S. Harrington, Astrónomo Chefe do Observatório Naval Americano, publicou para a SAO/NASA-Sistema de Dados de Astrofísica um relatório entitulado: A Localização do Planeta X. Os seus estudos previam a aproximação de um planeta de grandes dimensões ao nosso Sistema Solar, no entanto morreu sobre circunstâncias em tudo confusas (em 1993) antes de conseguir publicar as conclusões do seu estudo que em 1991 já conseguia prever a elipse orbital desse planeta bem como a sua, já perigosa posição às ‘portas’ do sistema solar bem perto de Plutão.

O que agora é falado pela mesma comunidade?

Os paleontólogos David Raup e Jack  Sepkoski reivindicam que, ao longo dos últimos 250 milhões de anos, a vida na Terra já enfrentou a extinção num ciclo de 26 milhões de anos. Os astrónomos propõem impactos de cometas, asteróides e meteoros como uma possível causa para estas catástrofes mas uma parte considerável da comunidade científica começa a negar essa possibilidade.

anamarrom1[2]O nosso sistema solar está cercado nos seus limites por uma vasta colecção de detritos e corpos gelados chamada de Nuvem de Oort. Se, em teoria, o nosso Sol fizer parte de um sistema binário em que duas estrelas estão gravitacionalmente ligadas a uma órbita de um mesmo centro de massa comum, essa interação poderia perturbar a Nuvem de Oort num ciclo periódico e enviar cometas e meteoros que passam a zumbir na nossa direção (ou que colidem com a Terra) como se fossem pragas repentinas de melgas.

A hipotética estrela anã vermelha que dança em conjunto com o nosso Sol, apelidada de “Nemesis” ou “A Estrela da Morte“, alegadamente detectada e documentada pela comunidade científica e que pode já ser avistada perto do sistema solar, tem várias vezes a massa e tamanho de Júpiter. O telescópio espacial WISE-Wide-field Infrared Survey Explorer, com largo campo de visão em infravermelhos tenta agora descobrir esta “estrela falhada” (que não entrou em ignição, como um sol/estrela que emite luz).

Em 1983, Thomas O’Toole do Washington Post, na equipe de redação – (sexta-feira 30 dezembro, 1983; Página A1 – ver figura) escreve algo como:

1983washingtonpost[2]Um corpo celeste possivelmente tão grande como o gigantesco planeta Júpiter e, possivelmente, tão perto da Terra que seria parte deste sistema solar foi encontrado na direção da Constelação de Órion por um telescópio em órbita a bordo do satélite astronómico infravermelho dos EUA (Infrared Astronomical Satellite-IRAS). Tão misterioso é o objecto que os astrónomos não sabem se ele é um planeta, um cometa gigante, uma ”proto-estrela” próxima que nunca ficou quente o suficiente para se tornar uma estrela, uma galáxia distante tão jovem que ainda está em processo de formação de suas primeiras estrelas ou uma galáxia tão envolta em poeira que nenhuma das suas estrelas ainda é visível. “Tudo o que posso dizer é que não sabemos o que é”, disse numa entrevista, o Dr. Gerry Neugebauer, o cientista chefe do IRAS para o JPL-Laboratório de Propulsão a Jato da Califórnia e director do Observatório Monte Palomar, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, a explicação mais fascinante deste misterioso corpo, que é tão frio que não lança luz e nunca foi visto por telescópios ópticos na Terra ou no espaço, é que ele é um planeta gigante gasoso tão grande como Júpiter e tão perto da Terra em 50 trilhões de quilômetros. Embora isso possa parecer uma grande distância em termos terrestres, é uma curta distância em termos cosmológicos, tão perto, de fato, que seria o corpo celeste mais próximo da Terra além do mais externo planeta Plutão. ”Se ele está realmente tão perto, seria uma parte do nosso sistema solar,” disse o Dr. James Houck do Centro de Rádio Física da Universidade Cornell.

O impacto de um grande asteróide é notoriamente o responsável pela extinção dos dinossauros há 65 milhões de anos, mas os impactos de cometas e asteróides grandes podem ser igualmente mortais. Um cometa pode ter sido a causa do evento de Tunguska, na Rússia, em 1908. Que a explosão tinha cerca de mil vezes o poder da bomba atómica lançada sobre Hiroshima, e achatou cerca de 80 milhões de árvores numa área de 830 milhas (1.335 quilómetros) quadrados. Enquanto há poucas dúvidas sobre o poder destrutivo dos impactos cósmicos, não há nenhuma evidência de que os cometas/asteróides periodicamente causem extinções em massa no nosso planeta. A teoria de extinções periódicas em si é ainda debatida, com muitos estudiosos insistindo que mais provas são necessárias. Mesmo que o consenso científico seja de que eventos de extinção em massa não ocorrem num ciclo previsível, agora existem outras razões para suspeitar da existência de uma companheira escura para o nosso SOL.

sedna[2]Os vestígios de Nemesis

Um planeta anão recém-descoberto, chamado de Sedna, tem uma órbita extra-longa e  elíptica habitual em torno do sol. Sedna é um dos objectos mais distantes ainda observado, com uma órbita variando entre 76 e 975 UA (onde 1 UA – 150 milhões de quilómetros – é a distância média entre a Terra e o Sol). A órbita de Sedna é estimada para durar entre 10,5 a 12 mil anos. O descobridor de Sedna, Mike Brown, do Caltech, observou num artigo da revista Discover que a localização de Sedna não faz nenhum sentido.

Sedna não deveria estar lá“, disse Brown. ”Não há nenhuma maneira de colocar Sedna onde ele está. Ele nunca chega perto o suficiente para ser afectado pelo Sol, mas nunca vai longe o suficiente do Sol para ser afetado por outras estrelas.

Talvez um objecto de grande massa invisível seja o responsável pela órbita mistificadora de Sedna, a sua influência gravitacional  manteria Sedna fixo naquela parte muito distante e específica do espaço.

“As minhas pesquisas sempre olharam para objectos mais próximos e, assim, movendo-se mais rápido“, disse Brown à revista Astrobiology . ”Eu teria facilmente esquecido algo tão distante e mais lento como Nemesis“.

John Matese, professor emérito de física da Universidade da Louisiana em Lafayette, suspeita que Nemesis existe por outra razão. Os cometas e asteroides no interior do sistema solar  parecem vir na maior parte da mesma região da Nuvem de Oort, e Matese acha que a influência gravitacional de um massivo companheiro solar romperia o equilíbrio de uma parte da nuvem de Oort, espalhando cometas, meteoros e asteróides  no seu rasto. Os seus cálculos sugerem que Nemesis tem entre 3 a 5 vezes a massa de Júpiter, em vez das 13 massas de Júpiter ou maiores que alguns cientistas acham que é uma qualidade necessária para uma estrela anã vermelha. Mesmo com esta massa menor, no entanto, muitos astrónomos ainda a classificariam como uma estrela de baixa massa, em vez de um planeta, uma vez que as circunstâncias do nascimento de estrelas e planetas são completamente diferentes.
A Nuvem de Oort estende-se para cerca de 1 ano-luz do sol.  As estimativas de Matese para a distância de Nemesis é de 25.000 AU (ou cerca de um terço de um ano luz). A estrela mais próxima ao nosso Sol é Proxima Centauri, localizada 4,2 anos-luz de distância, na Constelação de Centauro.

Richard Muller, da Universidade da Califórnia em Berkeley sugeriu pela primeira vez a teoria de Nemesis, e até escreveu um livro de ciência popular sobre o tema. Na sua opinião, Nemesis é uma estrela anã vermelha a 1,5 anos-luz de distância de nosso sistema solar. Muitos cientistas apontam que uma órbita tão ampla é inerentemente instável e não poderia durar muito tempo – certamente não o suficiente para ter causado a extinção vista no registo fóssil da Terra. Mas Muller diz que esta instabilidade resultou numa órbita que mudou muito ao longo de bilhões de anos, e nos próximos anos Nemesis  será lançada novamente através do sistema solar.

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Independentemente da existência de uma estrela Nemesis ou de um planeta Nibiru… ou qualquer outro corpo celeste a chegar ao sistema solar, a verdade é que, ao contrário do que a maioria das pessoas pensam tudo isto não se trata de uma teoria da conspiração. Como se pode facilmente pelo perceber pelo resumo de dados acima: tem factos históricos, tem presença teórica em mitologias e profecias, tem teorias credíveis e incómodas na comunidade científica… e depois tem a contra-informação que rola a Internet para ridicularizar e desviar as atenções dos interessados.
A ser uma teoria, é sem dúvida uma teoria científico-histórica que saber é sempre bom pois podemos ser mais um investigador da nossa própria verdade.

Fonte: YowUSA, Estudo Harvard, Space, LiveScience, AstroBio

 

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