Polémico Saúde

Hiperactividade? E provas antes de medicar, não?!

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Sem qualquer prova científica substancial e que siga o método científico para comprovar que o TDAH (Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperactividade) é uma doença, os diagnósticos de hiperactividade tornaram-se uma epidemia que, apenas nos EUA, cresceu de 150 mil casos em 1970 para 5 milhões em 1997 e cerca de 20 milhões em 2012. De acordo com a americana DEA (Drug Enforcement Administration) a produção de Ritalina, nos EUA, sobe 700% a cada sete anos.

Todos os pacientes têm o direito de ser informados sobre as provas científicas existentes das doenças que lhes são diagnosticadas e das implicações de cada um dos tratamentos propostos. A falta desta informação é não só notória como alarmante já que muitos ‘psiquiatras de cartilha’ fazem afirmações alegadamente científicas baseadas em zero provas ou provas cientificamente inválidas.

Em Portugal, um artigo da revista Visão pergunta a todos: E se muitas das crianças com hiperactividade precisarem apenas de dormir mais?

A semelhança entre os sintomas do TDAH e de distúrbios do sono com o sono, aliada ao pouco conhecimento dos médicos sobre estes últimos, alega Vatsal Thakkar, pode estar na origem de numerosos diagnósticos errados de hiperactividade. Para este especialista em psiquiatria da Universidade de Medicina de Nova Iorque, um terço das crianças e um quarto dos adultos diagnosticados com TDAH sofrem, isso sim, de problemas de sono.

A privação de sono, sobretudo nas crianças, não causa, como se poderia pensar, letargia, mas sintomas muito semelhantes ao TDAH, incluindo hiperactividade, incapacidade de concentração, agressividade e esquecimento. “Apesar de, sem dúvida, muitas pessoas sofrerem TDAH, uma proporção substancial dos casos são, na verdade, distúrbios do sono”, defende este médico.

Vários estudos têm mostrado que muitas crianças hiperactivas têm também distúrbios do sono, como o ressonar ou a apneia, dificultando-lhes o sono. Um estudo do ano passado, por exemplo, que analisou 11 mil crianças britânicas, concluiu que as que sofriam problemas respiratórios durante o sono tinham 20 a 60% mais probabilidades de ter dificuldades comportamentais aos quatro anos e 40 a 100% quando chegassem aos sete.

Em 2006, um outro estudo britânico descobriu que a remoção das amígdalas para melhorar a qualidade do sono eliminou os sintomas de hiperactividade em metade das crianças. Um ano depois da cirurgia, metade das crianças que tinham sido diagnosticadas com TDAH já não apresentavam os sintomas.

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Será o TDAH uma desordem neuro-química?

A opinião mais popular sobre TDAH é que se trata de uma desordem nos neurotransmissores, de natureza neuro-química, no entanto não existe uma única prova científica que apoie esta premissa. A maioria das alegadas provas assentam sobre leituras inconsistentes completamente destacadas do método científico e formam um enorme equívoco onde uma hipótese publicada se torna ciência!

A única coisa que se pode aceitar é a correlação entre dinâmicas biológicas e a categoria de TDAH, porque as evidências são inteiramente correlacionais e o cérebro é um órgão vivo e em constante resposta ao meio ambiente com complexos neuro-químicos e alterações neuro-funcionais. Considerem os seguintes estudos:

  • Jeffrey Schwartz da UCLA (1996) descobriu num grupo de obsessivo-compulsivos com as ditas ‘neuro-disfunções’ como prova da doença, uma excelente e escondida conclusão: após metade serem tratados com psicofármacos e outra metade apenas fazer psicoterapia (sessões de conversa sem fármacos), TODOS melhoraram consideravelmente e uma vez analisados os cérebros qualquer um deles possuía a mesma alteração química. Presumivelmente, a terapia cognitiva-comportamental tinha conseguido o mesmo impacto na fisiologia cerebral e sem qualquer um dos efeitos secundários graves dos fármacos.
  • James Pennebaker (2000) descobriu que os estudantes a quem tinha pedido um relatório completo sobre os seus traumas, os seus medos, relacionamentos falhados e desejos tinham desenvolvido um mais forte sistema imunitário e possuíam notoriamente mais saúde do que os outros estudantes a quem pediu um relatório sobre questões nada emocionais.
  • Arif Khan e Leuchter e a sua equipa na UCLA (2002) provaram que os efeitos de placebo e antidepressivos produziam o mesmo efeito detectável nos cérebros dos pacientes. No entanto estes estudos foram descontinuados pela FDA (Food and Drug Administration) que os patrocinava.
  • Baumeister e Hawkins (2001) levaram a cabo uma exaustiva análise neuroanatómica a pacientes com TDAH usando técnicas PET, Positron Scanner e medições electrofisiológicas e concluíram que «parece haver um consenso entre os especialistas de hoje que o TDAH está associado a anormalidades estruturais ou funcionais do cérebro, mas não existe qualquer prova cabal e convincente de que isso acontece nos cérebros de pacientes com TDAH.»

A psiquiatria nega a influência familiar no TDAH, a não ser que seja genética!

Na realidade a psiquiatria convencional, que segue cegamente a cartilha dos monstros farmacêuticos, falha nesta afirmação uma vez mais… e redondamente!
Na realidade a preponderância das evidências científicas demonstra que o TDAH está directamente associado a necessidades e desejos não satisfeitos durante a infância, a ambientes familiares complicados ou situações de opressão no seio familiar ou escolar. Os investigadores descobriram associações entre comportamentos sintomáticos de TDAH e as seguintes características ambientais:

  • Instabilidade familiar, pressão por objectivos por parte da família directa, aprendizagem precoce forçada, práticas disciplinares intensas, percepção pessimista da vida por parte dos pais (Lambert e Harsough, 1984)
  • Pais ameaçados e descontentes, pais que rejeitam inconscientemente os filhos, pais que culpam os filhos de problemas que têm (Lambert, 1982)
  • Mães demasiado críticas e castradoras (Goodman e Stevenson, 1989)
  • Pais hipercríticos e com atitudes destrutivas, inconsistentes e opressoras e mães com distúrbios notórios emocionais (Thomas e Chess, 1977)
  • Mães com depressão pós-parto, mães muito negativas ou pais com desordens de alcoolismo ou similares (Sameroff & Chandler, 1975 / Barkley, 1990)
  • Desarmonia do casal parental (Battle e Lacy, 1972)
  • entre muitos outros!
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Há uns meses publicamos um artigo sobre a Ritalina que deu imensa polémica e criou uma onda de pedidos de esclarecimento. Tentamos resumir acima vários artigos ‘devidamente científicos’ como nos pede a comunidade que esperamos contribua para um melhor esclarecimento e uma investigação cuidada antes de se agir pela cartilha.

Somos da opinião que devemos parar de rotular as crianças em prol das grandes farmacêuticas e aconselhamos vivamente que leiam também o nosso artigo sobre a psiquiatria.

Fontes: Academy for the Study of Psychoanalytic Arts, psychrights.org, VISÃO

 

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