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Carta de Socorro descoberta dentro de brinquedo chinês revela triste realidade

3cartachina

2cartachinaHá um ano, Julie Keith, uma norte americana, descobriu num brinquedo fabricado na China uma carta de denúncia sobre as terríveis condições de trabalho no país. Redigido em inglês, o pedido de socorro pedia que quem quer que encontrasse o bilhete entrasse em contacto com a Organização dos Direitos Humanos.

Na carta, a pessoa conta que os funcionários trabalham 15 horas por dia, sete dias por semana, sem ter qualquer direito a folgas, finais de semana ou feriados. Em troca, os trabalhadores recebem um salário de aproximadamente 2 dólares mensais (cerca de €1.50!), além de sofrerem torturas, privação de sono e espancamentos por parte dos guardas da fábrica.

Segundo a carta, muitos dos que estão ali são perseguidos pelo CCPG — o partido comunista do governo chinês —, e são sentenciados a passar em média entre 1 e 3 anos nesses campos de trabalho como forma de punição por não concordarem com o regime do partido. Contudo, as condenações são feitas sem que haja qualquer tipo de julgamento formal, e o autor conta ainda que a maioria é inocente.

article-2245066-1667A6CA000005DC-989_634x371De acordo com a carta, os trabalhadores que discordam do regime de forma mais aberta sofrem mais punições do que os demais. A carta foi meticulosamente escondida em um brinquedo fabricado em um campo de trabalho localizado em Shenyang, na China, e, desde que foi descoberta, rodou o mundo graças à mulher que a encontrou.

Os campos de trabalho chineses — existem e são bem conhecidos — estariam destinados a receber condenados por crimes pequenos (principalmente viciados em drogas, prostitutas e ladrões insignificantes), que são enviados para cumprir suas penas. Entretanto, segundo uma estimativa da ONU, em 2009 havia 190 mil pessoas nesses locais, presas ali sem receber sentença judicial. A Amnistia Internacional calcula que existem mais de 300 desses campos.

3cartachinaPor sorte, a media tem mostrado bastante interesse sobre as terríveis condições de trabalho em alguns lugares na China, revelando ao mundo o que acontece por lá. Além disso, a própria iniciativa de pessoas como a que escreveu o pedido de socorro tem contribuído para isso. Aliás, após um ano desde a descoberta da carta, o autor decidiu revelar-se.

Identificado apenas pelo sobrenome Zhang, trata-se de um ex-condenado de 47 anos que passou dois anos no campo de trabalho de Masanjia, em Shenyang. Durante esse tempo, Zhang escreveu 20 pedidos de socorro diferentes, que foram escondidos em brinquedos que ele esperava que seriam vendidos nos EUA.

1cartachinaJulie Keith eventualmente encontrou um desses pedidos e — comovida e alarmada — entrou em contato com as autoridades e a imprensa de seu país.

Desde então, o campo de trabalho de Masanjia foi desactivado, e o actual governo chinês parece disposto a rever a política de “reeducação através do trabalho”. Além disso, as autoridades chinesas admitem que nesses locais as condições de trabalho e sobrevivência são complicadas, mas negam que os condenados sejam submetidos a torturas. No entanto, aqueles que resolvem falar sobre o que acontece nos campos podem ser presos e sofrer severas punições.

Na sua opinião, o que poderíamos fazer para contribuir de alguma forma para que esse tipo de situação não volte a se repetir? O que sugere? Deixe sua opinião nos comentários…

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  • Lino
    Sendo praticamente impossível nos dias de hoje , não comprar artigos chineses , pois eles estão em todo o lado e praticamente tudo se fabricada china , incluindo aquilo a que estupidamente as pessoas chamam de produtos de Marca , no meu entender era preciso que : não se compre tanto de tudo . Procurar fazer o maior boicote possível a produtos chineses que bem vistas as coisas mem precisamos deles .
  • António Gonçalves
    concordo plenamente com a opinião do sr Lino, e isto serve para muitas outras situações, temos que ser o mais consciente possíveis quando compramos…
  • FrangoConNatas
    Teriamos de abdicar do consumo de produtos não só da china , mas de todo o tipo de fábricas que sustente este tipo de produção. Promover a economia local , artesãos , artistas, etc.. é a melhor solução a meu ver .
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