Ciência Polémico Política

A mentira da Verdade Inconveniente

Al GoreDo título em inglês “An Inconvenient Truth”, o documentário “Uma Verdade Inconveniente” foi lançado em 2006 e dirigido por Davis Guggenheim. O filme mostra apresentações do ex-vice-presidente norte-americano, Al Gore, sobre o aquecimento global. Na altura, aplaudido por muitos pela alegada coragem em fazer frente à estrutura estabelecida norte-americana, ao longo dos tempos tem vindo a público tratar-se de contra-informação cuidadosamente arquitectada para objectivos específicos.

Teorias da conspiração à parte, a verdade é que de uma forma ou de outra o documentário foi introduzido no conhecimento geral, causando alarmismo, através dos media mainstream e, em alguns países como no Reino Unido, nas próprias escolas. O que muitos desconhecem é que, preocupado com esta acção baseada em factos irreais, fantasiosos ou exagerados um pai decidiu levantar um processo legal a toda esta questão e à disseminação desta informação pelos jovens.Isto aconteceu no Reino Unido, em 2007, onde Stewart Dimmock, camionista e presidente da associação de pais da escola onde os seus dois filhos estudavam, pediu em memorando (mais tarde em processo formal legal) que parassem de doutrinar politicamente as crianças e jovens do país com mentiras inconvenientes.

al_gore_polar_bears1O Tribunal Supremo de Londres, na pessoa do Juiz Michael Burton, emitiu um parecer legal de que se o governo inglês não emitisse um comunicado formal a todas as escolas corrigindo claramente os erros detectados pelos cientistas no polémico documentário, então a emissão e divulgação do mesmo nas escolas deverá ser considerada ilegal e em desrespeito do Acto do Parlamento que proíbe a doutrinação política das crianças.

Este Juiz, após investigações apoiadas por vários especialistas e climatologistas, determinou que ‘pelo menos nove’ erros graves estavam presentes no documentário e que eram manipuladores de opiniões, criadores de medo e alarmismo desmedido e altamente prejudiciais para a formação livre e democrática da personalidade política de cada jovem.

Nas palavras de um jornalista da época: «Al Gore aparece como o principal profeta do apocalipse no debate sobre o aquecimento global, e o documentário Uma Verdade Inconveniente é o evangelho dos que crêem nele. Mas Al Gore enganou-se, foi enganado e enganou-nos.»

As 9 Alegações Falsas

O Juiz baseou a sua decisão em nove inverdades que aparecem no filme.

1. A alegação: o derretimento das calotas na Gronelândia ou na Antártida fará com que o nível do mar suba cerca de 7 metros num futuro próximo.
A verdade: O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concluiu que o nível do mar pode subir até 7 metros, mas ao longo de milénios – e insiste nessa previsão. O IPCC prevê um aumento de 7 a 23 centímetros apenas e na pior das hipóteses até 2100. A alegação de Gore é “uma distorção muito perturbadora da ciência” segundo John Day, que discute o caso britânico no documentário Not Evil Just Wrong. O Juiz disse que a alegação de Gore “não está em linha com o consenso científico”.

2. A alegação: os ursos polares estão a afogar-se porque têm de nadar mais para encontrar gelo.
A verdade: o Juiz Burton observou que o único estudo que cita o afogamento de ursos polares (entre quatro analisados) atribuiu a culpa pelas mortes a uma tempestade, e não a um eventual derretimento devido ao aquecimento global causado pela actividade humana. O Comitê de Meio Ambiente e Obras Públicas do Senado norte americano, além disso, considerou que a população actual (em 2007) de ursos é de 20.000 a 25.000, bem acima dos 5.000 a 10.000 que havia nas décadas de 1950 e 1960. Day diz em Not Evil Just Wrong que a alegação dos ursos polares é “uma peça muito inteligente de manipulação”.

WKNtruth1.jpg3. A alegação: o aquecimento global causou o furacão Katrina em 2005.
A verdade: “É senso comum que não há provas suficientes para demonstrar isso”, escreveu Burton na sua sentença. Um artigo na revista New Scientist em maio de 2007 refutou o argumento do Katrina como sendo um “mito do clima”, já que é impossível estabelecer um vínculo entre um único evento climático e o aquecimento global.
Em verdade a causa, não do furacão mas dos estragos do mesmo, devem-se exactamente à inabilidade do partido e comité liderado por Al Gore em criar formas de controlo das barragens e ajuda à população quando um cenário destes não era de todo fictício.

4. A alegação: os aumentos de temperatura são o resultado de aumentos de dióxido de carbono.
A verdade: Burton questionou os dois gráficos utilizados por Gore em Uma Verdade Inconveniente. Gore afirmou que há “um encaixe perfeito” entre a temperatura e o CO2, disse Burton, mas os seus gráficos não suportam esta conclusão. Os dados recentes também não apoiam essa tese: a temperatura média global tem diminuído há cerca de uma década, mesmo quando os níveis de CO2 continuam a aumentar.

5. A alegação: A neve no Monte Kilimanjaro está a derreter por causa do aquecimento global.
A verdade: O derretimento está em curso há mais de um século e parece ser o resultado de outras causas. O Juiz Burton observou que os cientistas concordam que a fusão não pode ser atribuída principalmente a “mudanças induzidas pela actividade humana no clima”.

6. A alegação: Lago Chade está a desaparecer por causa do aquecimento global.
A verdade: Lago Chade está sim perdendo água, e os humanos estão sim contribuindo para essas perdas. Mas os humanos que vivem nas imediações do lago é que são os culpados – e não toda a humanidade que utiliza combustíveis fósseis. Burton cita factores como o crescimento da população local, a super exploração e a variabilidade climática regional.

7. A alegação: As pessoas estão a ser forçadas a evacuar atóis do Pacífico, ilhas de coral que circundam as lagoas, por causa da invasão das águas do oceano.
A verdade: Por sua própria natureza, os atóis são mais susceptíveis à subida do nível do mar. Mas Burton disse incisivamente na sua sentença que “não há evidência de qualquer evacuação como essa, posto que ainda não aconteceu nenhuma”.

8. A alegação: os recifes de coral estão a sofrer um clareamento e colocando os peixes em perigo.
A verdade: Na sua decisão, Burton enfatizou a conclusão do IPCC de que o clareamento poderia matar recifes de coral – se estes não se adaptarem. Um relatório divulgado nesse ano mostra que os recifes estão a prosperar em águas tão quentes como algumas pessoas dizem que as águas do oceano serão daqui a 100 anos. Burton também afirmou que é difícil separar o stress dos recifes de coral do excesso de pesca ou de quaisquer mudanças no clima.

9. A alegação: o aquecimento global poderia interromper “as correntes transportadoras de calor nos oceanos”, provocando uma nova idade do gelo na Europa Ocidental.
A verdade: Mais uma vez, os aliados de Gore no IPCC estão em desacordo com este argumento. Burton cita a conclusão do IPCC, de que “é muito improvável que as correntes transportadoras nos oceanos parem de funcionar no futuro”. O facto é que a compreensão científica sobre como funcionam as correntes permanece instável, evidenciando a falha na afirmação de Gore

Et-Bilu-e-urandir-mostram-a-farsa-do-aquecimento-global-e-efeito-estufa-desmascaradoNota-se Aquecimento Global 7 anos depois do documentário?

Entre muitos estudos dos últimos tempos que vão desde afirmações da NASA provando que o CO2 tem tido um efeito contrário ao esperado, arrefecendo as temperaturas um pouco por toda a parte, até provas de aumento de população animal e coral que contradizem as afirmações da Verdade Inconveniente, tudo indica que o documentário se tratou mais de uma Mentira Conveniente.

Ainda este ano, as observações do ‘Cryosat’ indicam que o volume do gelo ártico é actualmente de 9.000 quilómetros cúbicos, contra 6.000 quilómetros cúbicos em 2012, ano em que no verão foi registada uma fusão recorde dos campos de gelo e calotas. A espessura da camada de gelo permanente sobre o oceano glacial ártico é este ano em média 30 centímetros maior que em 2012. O satélite ‘Cryosat’, lançado em 2010, é especializado na medição do volume de gelo que cobre o oceano ártico, que constitui um dos principais indicadores do aquecimento climático eventual.

Aquecimento-globalForam apenas 9 erros os detectados?

De facto, na altura do processo e parecer judicial, estes foram os nove erros versados e acima apresentamos apenas uma resenha do que foi dito. Se por acaso está interessado em saber mais sobre este tema aconselhamos a que consulte o relatório da Science and Public Policy que apresenta não só um desenvolvimento e análise científica dos nove erros acima, mas também acrescenta 26 outros erros ou exageros manipuladores que tanto indignaram as pessoas em 2006.

Da mesma forma decidimos partilhar uma entrevista a um reputado climatologista brasileiro sobre este tema que pode mais facilmente ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre este tema.

Fontes: mencionadas no texto

 

 

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  • Não me parece correta a vossa abordagem.
    É possível que o Al Gore tenha pecado por excesso quanto à subida dos mares e mais uns detalhes.
    Mas não deixam de ser detalhes, apenas. O importante é a questão geral do desastre ambiental que aí vem com toda a certeza.
    Pode haver períodos de arrefecimento temporários, mas há dados científicos recentes que mostram que globalmente a tendência permanente é para o aquecimento. Um documentário que vi há poucos dias na TV5 Monde, da autoria da Rádio Canadá, mostrava isso mesmo e com provas claras: a Gronelândia quase coberta antes de glaciares “eternos” está à beira de ter ZERO glaciares – uma hecatombe! O Ártico foi no Verão passado PELA PRIMEIRA VEZ atravessado por navios seguindo atrás dum quebra gelos, o que NUNCA tinha sido possível, e vocês ainda vêm dizer que o gelo aumentou ali? OK, aumentou em comparação com o ano passado, mas esse é que é o vosso método científico, comparar com um caso isolado e recente? Ora, tenham dó da nossa inteligência…

    Para não me alongar, em nota final, apenas registar que quem não se preocupa com o desastre ambiental e prefere entrar em joguinhos de palavras e de pseudo-provas com base em detalhes isolados do contexto – ou em confusas e nebulosas teorias conspirativas, pior ainda – demonstra basicamente que se está nas tintas para o futuro da Terra e dos que a habitam.
    Não vão por aí.

    • De facto é hilariante o conjunto de comentários que por aqui se observam… Não nos parece correcta a SUA abordagem ao artigo simplesmente porque intui que o não leu ou simplesmente não se deu ao trabalho de investigar e baseou-se na ‘comida política’ que lhe deram para digerir na sua ‘liberdade’.
      O artigo não apresenta a opinião de um portal de divulgação pois não temos sequer a pretensão de sermos investigadores e/ou detentores da verdade, o artigo nem sequer aborda os pontos mais incríveis da ‘politiquice’ envolvida para que vejam e investiguem com objectividade.
      São apenas as conclusões de uma equipa de climatólogos (ou climatologistas), meteorologistas e especialistas em ambiente que trabalhou ao serviço do Supremo Tribunal do Reino Unido, certamente não são nada face ao político Al Gore e a sua diminuta equipa incógnita. Trata-se também de um climatologista de renome internacional, numa entrevista de televisão sobre o tema que certamente nada sabe do método científico e das coisas que o contratado Al Gore sabe junto com a sua trupe. Trata-se de um documento elaborado para o público em geral que apresenta conclusões em linguagem acessível de equipas de especialistas que se dão ao trabalho de lhe apresentar todas as fontes e locais onde pode investigar a realidade, ao contrário daquilo que fez e faz o salvador do mundo Al Gore e seus apóstolos.
      Chama-lhe pseudo-provas?! Imagino o que acha que é real…
      Não vá por aí!

      • Francisco Trindade

        E tudo parte de uma grande estrutura de empregos verbas e muita jactância pseudo científica com interesses perceptíveis na ação, e justificativas muito subjetivas em ambos os lados, com uma boa dose de engajamento ativo de intelectuais meio esotéricos e apocalipticos na defesa da aparente idoneidade das ¨estatísticas¨ que indicariam tal futuro holocausto,,,,,, e do outro lado a displicência no trato com a área e seus recursos com exploração desconsiderada acaba alimentando os ¨naturebas sequiosos pela desgraça que os alçaria aos píncaros da vaidade salvacionista….., Mas reflitamos que no cosmos tudo é movimento e cíclico logo, catarses nas massas planetárias é lei…e aqui não seria diferente..A mesma ciência que responsabiliza(exageradamente)¨a ação do homem atual poderia descobrir quem foi o culpado(tresloucado) pela última era do gelo ou a chuva de sólidos que varreu da crosta os lagartos gigantes !!!! Só aceito careação com ¨ecoturebas¨que apresentem seus hábitos de usos e costumes inclusive as vestes…-Todos tem um pé no lodo do consumismo de status quo ou, estariam NÚS!!

    • Eneida Melo

      Você sabe a origem do termo Groelândia?

  • Andre Pimentao

    Sinceramente, este artigo e deveras hipocrita. Como se pode pretender refutar dezenas de estudos cientificos, revistos por cientistats independentes, examinados e reexaminados, pelas elaboraçoes de um Juiz.
    Concordo que as interpretaçoes daquilo que o IPCC revela nos seus relatorios possam ser moldadas a vontade de cada um, mas as provas cientificas apontam para que o aumento dos gases de efeito de estufa se encontram ligados a um aquecimento global. Existe um mecanismo fisico bem documentado que permite explicar essa correlaçao entre os dois factores, e so nao ve quem nao quer ver – ou ignora os processo de descoberta cientifica.
    Dizer que o aquecimento global causou o Katrina e errado – nao ha garantias cientificas que nos permitam afirmar isso. Mas aquilo que os modelos computacionais preveem e uma maior probabilidade de ocorrerem fenomenos meteorologicos extremos, como os furacoes. Sao estes modelos muito semelhantes aqueles que nos permitem prever o com um bom grau de exactidao o tempo que vai fazer na proxima semana. Sao modelos com graus de incerteza bem definidos pelos cientistats que os elaboraram, e cujos resultados sao acompanhados sempre de uma cautelosa identificaçao dos erros maximos que se podem cometer. A ciencia nao se faz a brincar. Infelizmente a interpretaçao dos seus resultados feita por jornalistas e politicos e destorcida e apenas tenta dar uma visao geral e por vezes tendenciosa dos resultados cientificos.

  • joaquim

    puta que os pariu! cambada de filhos da puta! como me sinto enganado e manipulado. assustarem nos com teorias apocalipticas… vou partir a televisao, a radio e o computador, vou construir uma casa na serra e vou para la viver, compro uma carabina e nao deixo ninguem aproximar se para me levar noticias deste mundo civilizado.

  • José

    Não me admiro nada que algumas pessoas acreditem na apreciação de um juiz, pondo de lado os mais de 95% de cientistas que estudam o fenómeno do aquecimento global. Ou que acreditem nalguns pseudo-cientistas pagos por interesses ligados às indústrias e energias poluentes.
    Admiro-me é por haver pessoas que acreditam que se pode alterar a constituição da atmosfera, acrescentando-lhe CO2 ou outro qualquer gás sem controlo,, sem que haja qualquer alteração no clima. Isto, sim, espanta-me!

  • Tiago Carneiro

    Parece-me que se confundem com frequência e ao sabor das vontades fatos e opiniões. Dai que irei apresentar uma série de factos aos quais terei gosto em obter um comentário vosso.

    O último relatório do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) indica que há mais de 95% de certeza de que o Homem é responsável pelo aquecimento dos oceanos, rápido degelo e subida dos níveis do mar. Em 2001 a mesma organização tinha apresentado um relatório no qual os níveis de certeza eram de 66%.

    Peter Gleick tem um artigo publicado na Forbes “”Global Warming Has Stopped”? How to Fool People Using “Cherry-Picked” Climate Data”, bastante claro em relação à interpretação e manuseamento dos dados climáticos, com o intuito de promover a mentira de que o aquecimento global não está a acontecer, não está provado ou não está suficientemente bem estudado.

    A Fundação Richard Dawkins tem na sua página uma série de artigos que fundamentam o aquecimento global, a sua relação directa com a emissão de gases de estufa bem como a manipulação das verdades científicas nos meios de comunicação.

    O documentário “Chasing Ice” de 2012 apresenta de forma irrefutável o recuo de glaciares em pelo menos 5 diferentes locais, do Canadá ao Everest. O estudo baseia-se em sequências de fotografias obtidas por câmaras fixas por longos períodos de tempo.

    Na recente série documental “Frozen Planet”, o último episódio (7º) é dedicado exclusivamente à problemática do degelo e aquecimento global. David Attemborough afirma que nas próximas décadas, possivelmente já em 2020, haverá mar aberto no pólo Norte pela primeira vez!

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