Física Tecnologia

Antigo Lago de Água Doce descoberto em Marte indica a possibilidade de suporte de vida…

03cb4f2a6a1a7129450f6a70670034c9

03cb4f2a6a1a7129450f6a70670034c9O rover Curiosity, enviado para Marte pela NASA (MSL), descobriu provas que apontam para a existência, em tempos idos, de um enorme lago capaz de suportar vida. Os cientistas encontram-se a analisar pormenorizadamente toda a informação à medida que vai ficando disponível.

Esta pesquisa, publicada a 10 de Dezembro de 2013 no jornal Science, revela locais de rocha sedimentada analisada pelo Curiosity na Cratera Gale, num local baptizado de Yellowknife Bay, perto do equador marciano. O Curiosity iniciou a sua exploração desta zona em Dezembro de 2012 percorrendo e analisando 150km desta bacia com uma montanha no seu centro.

A investigação centra-se nessa rocha sedimentar formada pela litificação de silte e argila em proporções variáveis a que chamam lamito. O lamito analisado forma-se em condições calmas e estagnadas de água e é composto de sedimentos finos que se depositam camada a camada, ao longo do tempo seca e endurece pelas forças geológicas formando rocha. Este lamito marciano demonstra que a cratera Gale em Marte foi outrora, estima-se 3.6 biliões de anos, um lago de água doce que existiu durante centenas de milhares de anos.

A geologia e química deste lamito foram analisadas remotamente após perfurações do Curiosity utilizando o seu laboratório MSL embutido. Este laboratório automatizado é operado à distância pela equipa da Jet Propulsion em Pasadena.

Os cientistas estão particularmente interessados na composição do lago e não só existem já provas que esta formação se deveu a água doce, também existe a presença de carbono, hidrogénio, oxigénio, nitrogénio e enxofre permitindo condições óptimas e sustentáveis para vida microbial ou outra.
Traçando um paralelo entre a Terra e Marte, os investigadores comparam as condições em que os quimiolitoautotrófos (chemolithoautotrophs) são capazes de viver. Estes seres são autênticas curiosidades biológicas que demonstram até que ponto a vida se pode manifestar. Ao contrário da maioria das formas de vida que conhecemos, que dependem directa ou indirectamente da luz do sol para gerar carbono orgânico e energia celular, os quimiolitoautotrófos são microorganismos bacteriais capazes de decompor rocha e minerais para armazenar energia e são amplamente encontrados em cavernas e grutas ou ventiladores hidrotermais… utilizam químicos (quimio) da leito rochoso (lito) como fonte de enrgia para fabricar a sua própria (auto) alimentação (trófos).

Como mencionado por um dos investigadores, a existência destes quimiolitoautotrófos em alguns ambientes mais inóspitos da Terra em nada garante que a vida tenha existido noutros locais do universo. O Professor Sanjeev Gupta, membro da missão MSL no Departamento de Ciência e Engenharia da Terra no Colégio Imperial de Londres afirma:

É importante salientar que não encontramos sinais evidentes de vida em Marte. O que encontramos na cratera Gale foram condições favoráveis para vida microbial, num lago antigo de há bilhões de anos. É um passo enorme para a exploração de Marte.

É entusiasmante pensar que há biliões de anos, vida microbial possa ter existido nas águas calmas de uma lago marciano convertendo um vasto leque de elementos em energia. Numa próxima fase desta missão iremos explorar outros locais rochosos da cratera que eventualmente podem ter a chave sobre se existiu ou não vida no planeta vermelho.

Fonte: Cambrian Foundation, Imperial College, London, NASA, Mars Science Laboratory

Obrigado por nos dizer como este artigo o fez sentir! Agora conte a todos partilhando - .
Como este artigo o faz sentir?
  • Fora de Mim
  • Fascinado
  • Apoiado
  • Indiferente
  • Assustado
  • Chateado
Partilhas