Saúde Tecnologia

Google cria lente de contato que mede glicose através das lágrimas

sb-lente-contato-inteligenteEsqueça o mimo tecnológico dos Google Glasses. A companhia norte-americana revelou este mês, Janeiro, uma novidade que vai muito longe de um novo brinquedo para os aficcionados. A criação que pode mudar a vida de milhões de pessoas é uma lente de contacto que monitora os níveis de glicose nas lágrimas – um potencial alívio para diabéticos do mundo todo, que têm de espetar os dedos para testar o seu próprio sangue até 10 vezes por dia.

O protótipo, que o Google diz que vai demorar pelo menos cinco anos para atingir os consumidores, é um dos vários dispositivos médicos sendo projectados por empresas para tornar a monitorização de glicose para pacientes diabéticos mais conveniente e menos invasiva.

As lentes usam um sensor de glicose minúsculo e um transmissor sem fio para ajudar aqueles entre o total de 382 milhões de diabéticos que necessitam de insulina a manter uma estreita vigilância sobre o açúcar no sangue e ajustar a sua dose.

As lentes de contacto foram desenvolvidas durante os últimos 18 meses no laboratório secreto da Google, que também desenvolveu um carro sem motorista, óculos de navegação na web e o Projeto Loon, uma rede de grandes balões projectados para transferir a internet para lugares não conectados. Em Setembro, a companhia também lançou um braço especialmente dedicado a encontrar soluções para problemas que vêm com o envelhecimento.

Porém, a pesquisa sobre as lentes de contacto começou há vários anos na Universidade de Washington (EUA), onde os cientistas trabalharam sob financiamento da National Science Foundation dos EUA. Até o Google falar sobre o projecto com a Associated Press, o trabalho tinha sido mantido em segredo.

“O Google deu-nos a liberdade para investir neste projecto”, contou um dos pesquisadores principais, Brian Otis. “A coisa mais bonita é que estamos a aproveitar toda a inovação na indústria de semicondutores, que teve como objectivo criar celulares menores e mais poderosos”.

O aparelho parece uma lente de contacto típica quando visto com desatenção. Numa análise mais aprofundada, é possível ver que coladas na lente estão duas manchas cintilantes carregadas com dezenas de milhares de transistores miniatura. Tudo isso está circundado por uma antena da espessura de um fio de cabelo.

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“Não parece muita coisa, mas foi necessária uma quantidade louca de trabalho para fazer com que tudo ficasse tão pequeno”, confessou Otis na sede do Google em Silicon Valley. Foram anos de soldagem de transmissores finos como fios de cabelo para miniaturizar os electrónicos, essencialmente construindo minúsculos chips a partir do zero, para fazer o que Otis disse ser o menor sensor de glicose sem fio já criado.

Outros sistemas de monitorização de glicose que não envolvem agulhas também estão em progresso, incluindo uma lente de contacto semelhante da NovioSense, empresa com sede na Holanda. O dispositivo consiste numa mola minúscula, flexível, que é depositada sob uma pálpebra. Já a OrSense, baseada em Israel, testou uma espécie de anel. Também já existem os primeiros desenhos para tatuagens e sensores de saliva.

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Um monitor de relógio de pulso foi aprovado pela Administração de Drogas e Alimentos americana em 2001, mas os pacientes disseram que as correntes eléctricas de baixo nível usadas para puxar o fluido de sua pele eram dolorosas, e davam problemas. “Há um monte de produtos com grandes promessas”, disse o Dr. Christopher Wilson, CEO da NovioSense. “É apenas uma questão de quem fica no mercado com algo que realmente funciona”.

Em todo o mundo, é esperado que o mercado de dispositivos de monitorização de glicose facture mais de US$ 16 bilhões até o final deste ano, de acordo com analistas do Renub Research.

A equipe do Google construiu, além dos chips, um sistema de energia para colectar e transmitir uma leitura de glicose por segundo à lente. Os componentes electrónicos embutidos nas lentes não obscurecem a visão, porque estão fora da pupila e da íris do olho. O Google está agora à procura de parceiros com experiência em trazer produtos similares ao mercado. Representantes da companhia recusaram-se a dizer quantas pessoas trabalharam no projecto, ou quanto a empresa investiu nele.

Um estudo clínico com pacientes reais foi promissor, porém há muitas questões em potencial que ainda estão por vir, ponderou o pesquisador de diabetes da Universidade da Carolina do Norte, Dr. John Buse. Entre elas, está descobrir como correlacionar os níveis de glicose em lágrimas, em comparação com o sangue. E o que acontece em dias de vento, ao cortar cebolas ou durante filmes muito tristes? Tal como acontece com qualquer dispositivo médico, as lentes teriam que ser testadas e provadas precisas, seguras e pelo menos tão boas quanto outros tipos de sensores de glicose disponíveis actualmente para que ganharem a aprovação da FDA, órgão governamental norte-americano responsável pela regulamentação de qualquer tipo de alimento ou medicação desenvolvida no país.

Numa publicaçãi no seu blog anunciando a nova tecnologia, a equipe do Google explicou a motivação por trás do projecto.

Pode não estar familiarizado com a luta diária que muitas pessoas com diabetes enfrentam enquanto tentam manter os seus níveis de açúcar no sangue sob controle. Caso o açúcar no sangue esteja descontrolado, as pessoas sofrem com o risco de uma série de complicações perigosas, algumas de curto e outras a longo prazo, incluindo danos aos olhos, rins e coração. Um amigo nosso disse-nos que se preocupa com a mãe dele, que já desmaiou por causa da baixa de açúcar no sangue e dirigiu seu carro para fora da estrada.

Karen Rose Tank, que deixou sua carreira como economista para ser uma técnica de saúde e bem-estar depois de seu diagnóstico de diabetes tipo 1, há 18 anos, sente-se encorajada ao saber que novos métodos de monitorização de glicose podem estar no horizonte.

É realmente emocionante que algumas das grandes empresas de tecnologia estão entrando neste mercado.
Eles trazem tanto talento, são capazes de pensar ‘fora da caixa’.

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