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Pão e Barras de Cereais contaminados com Glifosato no território europeu

snack_barsA população europeia em geral não abraça, felizmente, a causa e a propaganda da Monsanto, mesmo com figuras como Bono dos U2 a encabeçar as divulgações. No entanto os governos europeus, especialmente o do Reino Unido, está impregnado de asseclas obedientes à mega corporação dos transgénicos e outras aberrações. Os últimos estudos revelam que traços incontornáveis de glifosatos são encontrados em produtos europeus, especialmente ingleses, e vindo de empresas alegadamente não-OGM.

O website de notícias de saúde The Ecologist avança que um estudo encomendado por um grupo britânico anti-OGM encontrou nas principais marcas inglesas de pão embalado e barras de cereias traços de glifosatos preocupantes. Embora ligeiramente abaixo do máximo permitido pela lei europeia, a quantidade de glifosatos é ilógica quando essas empresas se dizem sem OGM (organismo geneticamente modificado). Uma boa parte da comunidade científica europeia discorda dos máximos aceitáveis de glifosatos, alegando que sendo este um forte disruptor endócrino não deveria ser tolerado a nível algum [exemplo de estudo – Estudos in vitro (Walsh et al. 2000) demonstraram que o glifosato reduz a produção de progesterona em células de mamíferos, e afecta a mortalidade de células placentárias (Richard et al. 2005)].

O glifosato (N-(fosfonometil) glicina, C3H8NO5P) é um herbicida sistémico não selectivo (mata qualquer tipo de planta) desenvolvido para matar ervas, principalmente perenes. É o ingrediente principal do Roundup, herbicida da Monsanto. Muitas plantas geneticamente modificadas são simplesmente modificações genéticas para resistir ao glifosato. A Monsanto vende sementes dessas plantas com o marca RR (Roundup Ready).
Segundo a Monsanto, o glifosato liga-se fortemente ao solo, portanto não vai para os aquíferos. No solo, é rapidamente metabolizado por desfosforilação. Na Argentina, o uso massivo do glifosato provocou a aparição de resistência, levando a um aumento progressivo das doses usadas, e assim a uma desvitalização e perda de fertilidade do solo. O herbicida elimina também, e comprovadamente, as bactérias indispensáveis à regeneração do solo.

O Glifosato e o RoundUp

Portanto, como é que o glifosato foi parar a produtos como barras de cereais, biscoitos e pão embalado se as empresas produtoras afirmam não utilizar produtos OGM? Bem, o herbicida da Monsanto conhecido vulgarmente por RoundUp é tão popular e acessível (com constantes campanhas agressivas de venda) que é usado em campos de cultivo com sementes não-OGM. Normalmente o RoundUp é tão forte que destrói toda a vida vegetal não preparada geneticamente para lhe resistir (sementes RoundUp Ready), mas os agricultores podem usar este radical e mortal herbicida antes de iniciarem a fase de sementeira. Esta acção vai permitir que rapidamente, a baixo custo e sem grandes preocupações toda a vida vegetal dos solos seja eliminada (plantas daninhas, por exemplo). Relatórios falam ainda de muitos agricultores utilizarem porções de RoundUp imediatamente antes de fazer a colheita pois irá tornar as plantas mais fracas e de colheita bem mais facilitada e de composição e embalagem rápida.

É desta forma que os glifosatos estão a tingir os europeus que lá se vão orgulhando de conseguir manter os OGM longe da sua alimentação. Se por um lado a Europa tenta impor um travão às investidas transgénicas da gigante Monsanto, por outro a Monsanto vai minando os campos de cultivo, os agricultores, a vida vegetal e os consumidores subrepticiamente (à semelhança do que fez na Argentina, mas de forma menos evidente).

Na Europa, a soja geneticamente alterada e o milho geneticamente alterado são amplamente aceites, pelo menos para alimentação de gado e animais de quinta. Este facto garante à Monsanto uma porta aberta para vender abundantemente o seu RoundUp a agricultores que assinam contratos extremos de dependência à corporação após serem atraídos por excelentes preços e técnicas de venda agressivas, que muitos britânicos testemunham serem até violentas e chantagistas.

Claro que muitos irão dizer: felizmente só os animais se alimentam desse veneno transgénico, certo? Aparentemente sim, está certo! Mas quem vai comer os animais e os seus subprodutos?

366505Um empresário agro-pecuário holandês, Ib Pedersen, decidiu dividir as suas varas de porcos em dois conjuntos: a vara de porcos que se alimentava de produtos exclusivamente OGM e a vara de porcos cuja alimentação possuía zero OGM. Desta forma ele pôde tirar as suas próprias conclusões sobre os seus efeitos afirmando sentir-se invadido por estudos vindos de todo o lado e que eram cada vez mais contraditórios.
A experiência provou, sem sombra de dúvidas, ao empresário que: os alimentados com OGM tinham a sua reprodução muito diminuída e uma parte dos nascimentos apresentavam deformações evidentes, doenças congénitas e abortos espontâneos incontroláveis pelo veterinário, por outro lado os porcos alimentados com alimentos não OGM contrariavam estes dados além de necessitarem, ao longo da vida, de poucos cuidados veterinários, consumindo muito menos antibióticos, por apresentarem uma saúde invejável mesmo para animais de quinta de grande produção.

Esta situação, provada por Ib Pedersen, ocorre um pouco por toda a América em grandes produtores de animais de quinta e muitos relatam problemas ainda mais preocupantes ao utilizarem alimentação por rações à base de OGM com porcos, vacas e gado em geral, tal como foi tornado público pelo professor emérito de patologia vegetal Dr. Don Huber que investigou o pesticida RoundUp e os seus efeitos nos solos e nos seres vivos directa ou indirectamente ligados a este.

Mas não fica por aqui!

Por si só os glifosato não é o componente mais tóxico deste pesticida da Monsanto, embora considerado como tal na generalidade. Por ser a única substância testada pela EPA e pelas várias agências pelo mundo fora o glifosato ganhou o título de ‘o pior do RoundUp’, mas a extrema toxicidade do RoundUp vem da combinação de glifosatos com outros químicos, igualmente tóxicos, que permitem a rápida absorção dos glifosatos pela vida vegetal em geral. O glifosato é considerado o ingrediente activo, enquanto que os outros compostos químicos são mencionados como inertes e em baixa quantidade… muito à semelhança da utilização de mercúrio nas vacinas.
Estes compostos químicos não são considerados para efeitos de revelação de ingredientes e a Monsanto reclama totais direitos sobre a composição da ‘mistura’ evitando assim revelar que ingredientes inertes são estes.

716015Todavia, o estudo Seralini em ratos (ver aqui o estudo em detalhe), que produziu mortes prematuras e horríveis tumores em menos de nove meses, conseguiu isolar estes ingredientes inertes e a sua toxicidade permitindo que muitos após este estudo chamassem ao RoundUp o ‘cocktail carcinogénico’.
No Portugal Mundial já tínhamos falado deste estudo no artigo: Revista científica retira artigo que relacionava milho transgénico ao cancro . Se a retracção do artigo por parte da revista o convenceu sobre a validade do estudo, considere pelo menos o seguinte: mais de 800 cientistas e milhares de outros professionais têm constituído inúmeras petições e objecções à decisão da revista, ou jornal científico, condenando o trabalho de Seralini, além disso mesmo antes desta decisão um ex-investigador da Monsanto integrou o staff editorial para uma posição invejável.

Fontes: mencionadas no texo

 

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