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A internet tal como a conhecemos está em risco de desaparecer, afirmam peritos

Num relatório divulgado a 3 de Julho de 2014, um grupo de especialistas desenha um cenário pouco animador e anuncia que o futuro da internet será muito diferente do que conhecemos hoje… um relatório que se mostra pessimista sobre o futuro da internet para os próximos 10 anos.

O documento foi divulgado pelo Pew Research Internet Project e traça um cenário preocupante. Na lista de nomes inclui-se Vint Cerf (co-autor do protocolo tcp/ip) e Jeff Jarvis, reputado professor universitário e defensor das liberdades digitais.

Há muitos meses que o debate está aceso, em especial nos Estados Unidos da América, onde a FCC aprovou recentemente normas que dão às grandes empresas a possibilidade de negociar com os fornecedores de internet velocidades de acesso privilegiados. Este acto viola o princípio da neutralidade (conhecido por “net neutrality”), que se baseia no pressuposto da igualdade de acesso, ou seja, de que todos os utilizadores devem ser tratados do mesmo modo, seja uma grande empresa ou o cidadão individual. Para já, aqui na Europa, estamos protegidos.

Para os consumidores, a consequência prática desta medida não é ainda visível, mas adivinha-se. Por um lado, a tendência será optar por fornecedores que garantam velocidade, por outro existe o risco de ver a internet vendida por pacotes, tal como acontece com os modelos implementados pela televisão por cabo. Consciente do “perigo” e simultaneamente da oportunidade de negócio, a Google já começou a instalar a sua própria rede de fibra ótica em algumas cidades americanas, colocando-se na linha da frente no papel de super fornecedor: disponibiliza velocidades até 1Gb, e já está a desenvolver tecnologia capaz de débitos na ordem dos 10 Gb.

O relatório divulgado sugere que o acesso condicionado ou fracionado será uma realidade não só temida, como provável. Os peritos mais pessimistas afirmam que dentro de 10 anos vamos ter uma internet pré-formatada e que vamos ter de pagar para ter acesso a um motor de pesquisa, a um pacote de redes sociais (Facebook e Twitter, por exemplo), a um conjunto de websites de notícias, cada qual por seu valor. Quando essa altura chegar, se chegar, teremos uma internet muito diferente da que conhecemos hoje. Será igualmente rica, mas já não será para todos.

Fontes: assinaladas no texto

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