Saúde

Decretado estado de emergência mundial devido ao Ébola

A Organização Mundial de Saúde (OMS) acaba de decretar o estado de emergência mundial devido ao vírus Ébola. A decisão foi tomada esta sexta-feira pelo Comité de Emergência da OMS que reuniu para analisar este “evento extraordinário”, concluindo que “representa um risco de saúde pública para outros Estados, com a expansão da doença a nível internacional”, o que “requer uma resposta coordenada no âmbito internacional”.

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O surto de Ébola na África Ocidental já infectou 1.711 pessoas, das quais 932 morreram, de acordo com o mais recente balanço divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que esta sexta-feira decidiu decretar o estado de emergência a nível mundial.

A OMS declarou o surto de Ébola na África Ocidental “uma emergência de saúde internacional” que obriga a “uma resposta coordenada para tentar controlar a doença”.

A febre hemorrágica provocada por este vírus é uma doença infecciosa grave identificada pela primeira vez em 1976, na República Democrática do Congo (antigo Zaire) perto do rio Ébola, daí o nome.

A doença transmite-se por contacto directo com o sangue, secreções de órgãos ou fluidos corporais de pessoas infectadas. A incubação da doença pode levar até 21 dias e a mortalidade varia entre 25% e 90%, dependendo da estirpe.

O perigo do Ébola

Desde 1976, de tempos em tempos o vírus do ébola ressurge em alguma parte do continente africano mostrando todo o seu poder mortífero. Recentemente uma nova onda apareceu na Guiné e logo ultrapassou suas fronteiras, atingindo Libéria e Serra Leoa, países vizinhos. Várias cidades já registaram sua presença e mais de 500 pessoas morreram. Essa contabilidade tende a aumentar com o passar das horas e dos dias, e provavelmente a quantidade de mortos é bem maior do que 500.
O ebola é um vírus extremamente perigoso. Estimativas indicam que cerca de 90% das pessoas contaminadas morrem e, via de regra, de maneira muito dolorosa. Sua forma de disseminação se dá basicamente pelo contacto com sangue e secreções de pessoas contaminadas, o que eleva enormemente o risco para todos aqueles que de alguma forma tem que tratar directamente dos doentes, como enfermeiros, médicos, familiares e amigos (sendo que também é alto o risco para o pessoal responsável no pós morte, como agentes funerários e coveiros).
E há ainda o estigma da doença. São muitos os casos de pessoas discriminadas por terem parentesco com alguém que contraiu o ébola ou porque vivem em áreas que registaram casos da doença. Não é exagero afirmar que ela causa um verdadeiro pânico nas populações das regiões e adjacências em que se faz ou se fez presente.
Não existe vacina ou cura para o ébola, apenas tratamento dos sintomas, como febre, dores musculares, dores de cabeça, inflamação na garganta, dentre outros. Além disso, o seu diagnóstico preciso depende de exames laboratoriais, o que demanda recursos e a existência de uma infraestrutura mínima de saúde, o que é raro de se encontrar nas regiões mais interiores de África.
Quando um surto de ébola é identificado, as chances do vírus ter se espalhado são muito grandes, sobretudo quando a estrutura de vigilância sanitária não existe ou é precária. E esse quadro é, infelizmente, a realidade reinante nos países pobres ou em desenvolvimento (embora também exista em países mais desenvolvidos).

Ébola e Portugal

Jaime Nina, especialista no vírus ébola, considera quase impossível o contágio de ébola chegar a Portugal e explica que se algum doente chegar ao país, há condições médicas e de segurança suficientes.

«A única hipótese de apanhar vírus em Portugal é um viajante vir em período de incubação de avião, se isso passar despercebido pelos controlos de fronteira do país de origem, e adoecer cá e não ser diagnosticado em tempo útil», explica Jaime Nina, do Instituto de Medicina Tropical em declarações à TSF.
Para o especialista no vírus ébola, mesmo esta situação é difícil de acontecer porque em Portugal «há uma série de medidas de segurança que são feitas por rotina e que infelizmente nestes três países afectados não são. Por exemplo, se for a uma urgência em qualquer hospital português ninguém tira sangue sem usar luvas. Em África, a excepção é alguém ter luvas».
Jaime Nina esclarece ainda que um doente «no início da infecção não é contagioso. Só se torna contagioso quando começa a tossir e principalmente quando começa a tossir com sangue, e depois hemorragias na boca, no nariz, nos olhos, na pele. Isto não é instantâneo, normalmente depois do início da febre são dois ou três dias».
A Direcção Geral de Saúde (DGS) divulga esta tarde medidas de prevenção acertadas por todas as autoridades de saúde dos estados membros da União Europeia.

Esta sexta-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou que a epidemia de Ébola na África Ocidental é uma «emergência de saúde pública de alcance mundial».
A diretora-geral da OMS considerou que «este é o maior, o mais grave e mais complexo surto em quase 40 anos na história desta doença».

 

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