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Voyager: O mistério da nave espacial que pode ter superado os limites do desconhecido

A nave Voyager, considerada a invenção humana a alcançar as maiores distâncias na história depois de seu lançamento, em 1977, recentemente voltou a ser objecto de polémica nos meios científicos.

1024px-Voyager_spacecraftVoyager é o nome de um programa norte-americano de pesquisa espacial da NASA iniciado em 1977 com o lançamento de duas missões, a Voyager 1 e Voyager 2, com o objetivo inicial de estudar os planetas Júpiter e Saturno e suas respectivas luas. Posteriormente foi ampliado com a inclusão das primeiras explorações de Urano e Neptuno e o estudo do espaço após a orbita de Plutão. Em 1990, com seus objectivos no sistema solar atingidos, iniciou-se um novo programa chamado Missão Interestelar Voyager. Em 2004 a Voyager 1 e em 2007 a Voyager 2 saíram da Heliosfera entrando em uma região conhecida como Heliosheath que é a fronteira do sistema solar com o espaço interestelar.

Com seus sistemas electrónicos alimentados por pequenos geradores nucleares, as sondas Voyager poderão continuar em funcionamento até algures dentro da década de 2020.

Foram lançadas em 1977, para aproveitar uma chance única: todos os planetas gasosos estariam de tal forma dispostos que, uma nave viajando rumo aos confins do sistema solar poderia cruzar com todos os quatro planetas sem ter que alterar sua trajectória. Em 1979, a Voyager 1 passou junto a Júpiter, e tirou fotografias impressionantes do planeta. Também estudou a famosa mancha de Júpiter, um ciclone do tamanho da Terra que começou a girar há, pelo menos, 300 anos. A NASA, após a viagem da Voyager 1 a Júpiter, lançou uma missão chamada Galileu lançada 18 de Outubro de 1989, na missão STS-34. A sonda chegou a Júpiter no dia 7 de Dezembro de 1995.

Em 1981, a Voyager 1 passou junto a Saturno. Estudou o planeta e descobriu que ele possui as tempestades mais devastadoras já registadas, com ventos de até 5.000 km/h (10 vezes mais poderosas que um tornado de classe F5). A Voyager 1 também detectou hidrocarbonetos sob a atmosfera do satélite Titã. Por esse motivo, em 2004 uma sonda de um bilião de dólares foi estudar sua superfície. A missão Cassini-Huygens detectaria a presença de nitrogénio em Titan, em 2006, o que poderia criar condições favoráveis à existência de vida no satélite. Em 1988, a Voyager 2 rasou por Urano. Estudou seus anéis, seus satélites e descobriu que o maior deles, Miranda, teria sido atingido por um objeto com metade do volume do satélite. Os estilhaços criaram os anéis do planeta. A nave ainda constatou que, em relação aos outros planetas gasosos, a atmosfera de Urano é serena. Não existem tempestades sob suas nuvens. O dia em Urano dura 17,232 horas. Isso porque Urano tem um ângulo de inclinação de quase 90º, e rola sobre sua órbita ao invés de rodar ao longo dela. Ou seja, caso Urano pudesse ser habitado, quem morasse na parte escura do planeta, viveria sempre no escuro, e quem vivesse na parte clara viveria sempre sob o Sol.
Em 1992, a Voyager 2 passou por Neptuno. A Voyager 2 descobriu seis novos satélites, que elevaram o total de satélites conhecidos de Neptuno para oito. A Voyager 2 descobriu ainda que o maior dos satélites do planeta, Tritão, tem uma translação contrária à rotação do planeta. Neptuno é assolado por tempestades fortíssimas, como o olho do gato, um ciclone que dá a volta ao planeta de tempos a tempos. Neptuno, assim como a Terra, também possui sprites em suas nuvens mais altas. Após estudar os quatro planetas gasosos, a Voyager 2 continuou a viajar em direcção ao exterior do sistema solar.

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Um comunicado em 2012 anunciou ao mundo que a Voyager havia finalmente cruzado o limite do espaço sideral, deixando para trás o sistema solar. No entanto, alguns cientistas refutam esta afirmação. A pergunta natural portanto é: onde está realmente a Voyager I?

Segundo alguns especialistas, a nave ainda estaria vagando pela heliosfera, região do espaço dominada pelo Sol e seu vento, composta por partículas energéticas; ou seja, fora do espaço interestelar. Para comprovar essa teoria, os cientistas desenvolveram um estudo, publicado na Geophysical Research Letters. Ele afirma que, se a nave detectar uma mudança no campo magnético nos próximos dois anos, comprovará sua presença na heliosfera. Entretanto, se a mudança no campo magnético não ocorrer, a confirmação de que a Voyager I cruzou o limite interestelar será definitiva.

O professor George Gloeckler, um dos autores da denominada “prova final” explica de forma simples e directa: “Trajetórias são demonstradas com movimento”. O cientista, que desde 1972 trabalha na missão Voyager diz que a mudança de campo magnético não foi observada, apesar de a nave haver dado diversos sinais de haver chegado ao espaço interestelar, com a exposição a raios cósmicos, por exemplo. As gémeas, Voyager I e II foram lançadas em 1977 para explorar Júpiter e Saturno. Apesar dos debates com relação ao seu paradeiro actual, não há dúvidas que a Voyager I chegou muito mais longe do que se imaginava… e não pretende parar, embora nos assegurem que a vão ‘desligar’.

Fonte: NASA e The conversation

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