Desastres Mundiais Sociedade

O relato de quem sacrificou a vida para salvar a Europa da catástrofe de Chernobyl

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O acidente de Chernobyl, que aconteceu no dia 26 de Abril de 1986 – em terras que pertenciam à União Soviética (URSS) -, é considerado até o hoje o maior e mais catastrófico acidente nuclear da história. Embora inúmeras teorias conspiratórias sejam debatidas sobre esse evento, a verdade é que toda o episódio só terminou mal devido aos testes de segurança mal executados na Estação nuclear e dezenas de violações do Regulamento de Segurança Nuclear da URSS.

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Depois das duas grandes explosões na madrugada daquele dia, as pessoas que trabalhavam no lugar depararam-se com uma situação irreparável, em que o fogo e a radiação tomava conta de tudo. Foi assim que profissionais e voluntários de toda a Europa foram rapidamente recrutados para ajudar a conter o fogo e a deter os reflexos negativos que o acidente nuclear ainda poderia causar.

O grande problema disso tudo é que os profissionais de outras áreas lutaram contra as chamas da estação nuclear, assim como toda a gente – incluindo os responsáveis pelo local -, acreditavam que o grande reactor estava intacto e, além de argila e areia, usaram milhares de litros de água acabar com o fogo. Os esforços, claro, tiveram efeitos devastadores, mas o que as pessoas iam descobrir na manhã seguinte ao dia do acidente era que o problema poderia ser ainda mais sério do que se mostrava até aquele momento.

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Um helicóptero da KGB, a polícia especial da antiga União Soviética, sobrevoava a área quando os oficiais perceberam que o reactor tinha explodido e, aberto, expunha a origem de toda a radiação. Mas a desgraça não parou por aí: as piscinas de segurança do reactor – feitas para controlar a temperatura dessa estrutura e para reduzir o perigo de contaminação, caso os vapores saíssem dessa peça gigantesca – estava a transbordar de água procedente dos canos rebentados do seu circuito primário e das águas utilizadas pelos bombeiros para apagar o incêndio no reactor.

O risco agora, como logo perceberam as autoridades que se encontravam no lugar, era que essa água contaminada e com níveis altíssimos de radioactividade causasse explosões de vapor capazes de projectar a atmosfera – por quilómetros incalculáveis – centenas de toneladas de cúrio. Além disso, essa mistura “mortal” também estava prestes a escapar e infiltrar-se no subsolo, contaminando as águas do lençol freático e a deixar em perigo o abastecimento de Kiev, uma cidade próxima com mais de dois milhões de habitantes! Resumindo, a Europa inteira estava em risco e poderia tornar-se uma parte do globo simplesmente inabitável devido aos altos índices de radiação que a ameaça apresentava.

A solução para esse segmento do problema seria simples, se todo o sistema de comando da estação nuclear não tivesse sido danificado juntamente com as explosões: bastaria accionar um comando mecânico e as válvulas do radiador, que estavam a prender a água, seriam abertas. Mas essa não seria mais uma alternativa possível e a tarefa precisaria de ser cumprida manualmente.

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Foi então que o técnico Alexei Ananenko, o engenheiro nuclear Valeriy Bezpalov e um trabalhador da central, chamado Boris Baranov , se tornaram heróis da Europa. Mesmo sabendo que essa missão seria uma “viagem sem volta”, eles ofereceram-se para mergulhar nas águas contaminadas da piscina de segurança do radiador para, então, abrirem as válvulas.

Alexei e Valeriv eram, ambos, casados e pais de família. Boris, no entanto, era um jovem, que trabalhava no lugar e não tinha família. Todos abriram mão das suas vidas para salvar o continente europeu da devastação e, depois de uma boa dose de vodka, mergulharam sem qualquer protecção extra nos tanques.

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As válvulas foram abertas, mas a radiação ali era tão forte que era possível sentir um gosto metálico na boca, que resultava em fortes náuseas, tonturas e até mesmo sensações terríveis de picadas de agulha por todo o corpo. É por esses motivos todos que o final desse episódio é controverso até hoje.

Muitos contam que os três saíram das piscinas do reactor ainda com vida e morreram num hospital de Kiev, dias depois, vítimas da radioactividade extrema à qual ficaram expostos. Outro, no entanto, afirma que os mergulhadores morreram no local e seus corpos ainda se encontram em Chernobyl.

 

Fonte: fatosdesconhecidos

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