História

Relato de quem revelou ao mundo o horror de Auschwitz

Depois de os meios de comunicação internacionais revelarem o relatório com os relatos de Vrba, a Hungria cessou as deportações de judeus, em Julho de 1944.

A história de Rudolf Vrba é feita de fugas. Em 1941, com 17 anos, fugiu de casa, na Checoslováquia, para se juntar ao exército checoslovaco que se formara no Reino Unido. Rudolf Vrba desfez-se da estrela de David amarela que os nazis impuseram como símbolo identificador dos judeus, excluídos e considerados infra-humanos, e entrou na Hungria. Foi preso, fugiu e voltou a ser preso. O destino foi o campo de concentração de Maidanek, paragem intermédia antes da suposta paragem final. A 30 de Junho de 1942 entrou em Auschwitz. Mais uma vez, conseguiu fugir. O relato que fez dos dois anos que passou no campo de extermínio mais brutal do regime nazi abriu, pela primeira vez, os olhos do mundo para o horror que manchava o leste da Europa. A história é lembrada pelo Telegraph, a propósito da comemoração dos 70 anos do final da II Guerra Mundial.

Rudolf Vrba registou na memória tudo o que viu. A chegada dos prisioneiros, a selecção, a organização destes em filas. Aqueles a quem era indicado o lado direito tinham sido considerados aptos para os trabalhos forçados. Continuariam vivos. O lado esquerdo indicava o caminho das câmaras de gás. Ao jovem judeu foi prometido um trabalho agrícola, o que na prática significou ficar responsável por desenterrar as pilhas de corpos que deveriam ser incinerados. Quando Vrba fugiu, dirigiu-se ao Conselho Judaico de Zilina, na Eslováquia, que não quis acreditar no seu relato. Nem nos seus cálculos da matança.

“As câmaras de gás levam cerca de 2000 pessoas. Quando todos estão lá dentro, as portas pesadas são fechadas. Há uma pequena pausa – penso que para permitir que a temperatura da sala suba até um certo nível – e depois, os homens da SS sobem ao telhado, usando máscaras de gás. Soltam um preparado em forma de pó que se transforma em gás. Três minutos depois, todos estão mortos. A câmara é aberta, arejada e depois disso entra um ‘esquadrão especial’ que tem a missão de carregar os corpos até aos fornos crematórios, onde acontece a incineração”.

auschwits-birkenau

 

A acompanhar as descrições, Vrba fez desenhos, esquemas e mapas que mostravam a organização dos campos de Auschwitz-Birkenau, bem como a disposição das câmaras de gás e dos fornos crematórios. Ficou tudo reunido num relatório. Mas as dúvidas continuaram e os relatos só foram aceites e considerados verdadeiros semanas depois. Enquanto isso, a Alemanha invadiu a Hungria, que pôs em marcha a deportação de judeus. Vrba chegou a dizer que esta demora resultou na morte de cerca de 50 mil judeus húngaros. Depois de os meios de comunicação internacionais revelarem o relatório, a Hungria cessou as deportações, em Julho de 1944.

Rudolf Vrba, que acabou por estudar Química e Biologia e se mudou para o Reino Unido, onde fez trabalho académico e de investigação sobre doenças como a diabetes e o cancro, morreu em 2006.

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