Saúde Sociedade

Pesticida responsável por cancro do sangue em discussão no Parlamento Português

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Linfoma não Hodgkin (LNH). Este é o género de cancro do sangue com que o ser humano pode adoecer quando exposto ao glifosato (vulgar Roundup), o pesticida mais comercializado em Portugal em diferentes formulações, sendo também vendido livremente para uso doméstico em hipermercados, hortos e lojas da especialidade. E ainda, utilizado com abundância por quase todas as autarquias para limpeza de arruamentos.

O alerta dos perigos deste e de outros pesticidas foi dado há um mês pela Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC), da Organização Mundial de Saúde (OMS), que considerou o glifosato um “carcinogéneo provável para o ser humano”. Leia aqui o comunicado da IARC.

E esta quinta-feira, a partir das 15h, o partido Os Verdes (PEV) levam a discussão na Assembleia da República o Projecto de Resolução que recomenda que Governo proíba o uso do glifosato. O PEV quer ainda que governo quer se promovam esclarecimentos sobre os efeitos do glifosato na saúde humana, junto de agricultores e autarquias. Esta iniciativa ganha pertinência uma vez que este ano o glifosato está em processo de reavaliação na União Europeia.

O PEV já havia questionado o primeiro-ministro, num debate no Parlamento, sobre as medidas a tomar pelo Governo perante as evidências de ameaças à saúde pública e ao ambiente. Passos Coelho respondeu, dizendo não haver evidência de que possa haver contaminação e que se iniciaria uma investigação sobre esta matéria.

No entanto agora, no seu comunicado, a IARC diz que as evidências de que o pesticida é cancerígeno estão nos estudos sobre a “exposições humana, principalmente na agricultura, nos EUA, Canadá, e Suécia”. Além disso, acrescenta a IARC, “há provas convincentes de que o glifosato também pode causar cancro em animais de laboratório.”

Apesar de não se poder atribuir todos os casos deste cancro a uma única substância, não é de ignorar que, dos 41 países europeus para os quais a IARC sistematiza informação, Portugal tem uma taxa de mortalidade superior à média da União Europeia, segundo informação publicada pela revista Esmeralda Azul. Portugal é o 7.º país europeu onde mais se morre de LNH. Além disso, a nível nacional o LNH é o 9.º cancro mais frequente (1700 novos casos por ano), de 24 avaliados.

A mesma publicação de.Cristina Sales, médica funcional integrativa, refere um estudo da Sociedade Americana de Microbiologia, sobre o glifosato e outros herbicidas, que demonstrou que estes químicos têm um outro lado negativo: induzem resistência a antibióticos nas bactérias com que entram em contacto.

Já em Março de 2014, a Quercus e a Plataforma Transgénicos Fora (PTF) enviaram uma carta a todos os presidentes de Câmaras Municipais, alertando para os riscos ambientais e de saúde, da aplicação de herbicidas em espaços urbanos, prática generalizada por todo o país. Ver aqui.

Nessa altura, as duas organizações ambientais diziam que “o glifosato actua nos animais como desregulador hormonal e cancerígeno, em doses muito baixas, que podem ser absorvidas nos alimentos e na água de consumo, supostamente ‘potável'”

dddA Quercus e a PTF acrescentavam que o herbicida “tem ainda uma degradação suficientemente lenta para ser arrastado (pela água da chuva, da rega ou de lavagem, em conjunto com um resíduo também tóxico resultante da sua degradação), para a água, quer a superficial (rios, ribeiros, albufeiras e lagos), quer a subterrânea.” Veja aqui comentário de Luís Alves, especialista sobre o assunto na RTP2.

A aplicação do glifosato, que é comercializado por empresas como a Monsanto, entre outras, mais do que duplicou entre 2002 e 2012, ano em que foram aplicadas 1400 toneladas para fins agrícolas. Para isso, muito tem contribuído o aumento da cultura intensiva de olival, por exemplo.

Mas para controlar a situação é preciso fazer análises periódicas. Em França, por exemplo, já em 2003 e 2004, mais de metade das análises a águas superficiais em anos sucessivos revelou a presença de glifosato, o que levou o governo francês a reduzir as doses máximas autorizadas na agricultura.

As plantas transgénicas também são alvo deste pesticida, porque quando sobre as plantas sem modificação genética elas morrem, com raras excepções de ervas que já ganharam resistência. Assim, mais de 80% das plantas transgénicas produzidas no mundo (sobretudo soja e milho) foram geneticamente modificadas justamente para receber o glifosato.

Os primeiros transgénicos foram autorizados na União Europeia (UE) em 1996 e três anos depois a UE aumentou em 200 vezes a tolerância aos resíduos de glifosato na alimentação, que passam de 0.1 para 20 mg/kg no caso da soja.

Ler mais informação no The Lancet.

Entretanto, foi lançada uma petição que defende a “Proibição do Herbicida Glifosato em Portugal”.

Fonte: DinheiroVivo

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    Peço desculpa pela ignorância, mas os arruamentos são o quê ? Estão a querer a dizer que a água da torneira contém esta substância ?
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