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Empresa britânica pretende libertar moscas transgénicas na Catalunha

Oxitec planeia libertar 5000 moscas GM por semana perto da cidade de Tarragona. ”Libertar insectos geneticamente modificados no ambiente é uma experiência perigosa que, na prática, irá transformar toda a Europa num laboratório ao ar livre”, alerta Janet Cotter, do Greenpeace Internacional.

Segundo avança um comunicado publicado no site da Plataforma Transgénicos Fora, subscrito por organizações ambientais de Espanha, Portugal, Grécia, França, Bruxelas, Itália e Alemanha, o ensaio de campo, que se prevê durar um ano, irá abranger uma área de 1000 m2 coberta por rede.

Os insectos são geneticamente manipulados por forma a que as larvas fêmea morram no interior das azeitonas, enquanto que os machos sobrevivem, contudo, se as moscas escaparem, elas poderão multiplicar-se sem qualquer controlo.

A intenção da Oxitec é que as moscas transgénicas macho se cruzem com as moscas fêmea nativas, diminuindo assim as populações de mosca da azeitona nativas e, consequentemente, o risco de prejuízo económico inerente a esta praga na produção de azeitona e azeite.

“Se a tecnologia for implementada tal como planeado pela Oxitec, ela poderá, ao fim de bastante tempo, conduzir à diminuição desta espécie de mosca nas áreas afectadas”, refere o documento, que alerta que “a biodiversidade pode ser severamente prejudicada, com todas as potenciais consequências e efeitos colaterais no equilíbrio complexo dos ecossistemas, no ambiente e nos sistemas de produção”

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Por outro lado, “existe uma elevada probabilidade de que os transgenes artificiais acabem por se incorporar de forma permanente nas populações nativas”, sendo que, “embora a Oxitec afirme que as suas estirpes são geneticamente estáveis em laboratório, ninguém pode prever a estabilidade genética ou o comportamento ecológico desses insectos uma vez libertados no ambiente”.

”Libertar insectos geneticamente modificados no ambiente é uma experiência perigosa que, na prática, irá transformar toda a Europa num laboratório ao ar livre. Os insectos não respeitam as fronteiras e nenhuma esterilidade é 100% eficaz. Podem escapar-se das áreas experimentais e se, como é frequente, as coisas não correrem de acordo com o planeado, será impossível terminar e conter o ensaio. E qualquer tentativa de controlo ou remoção dos insectos geneticamente modificados seria impossível, ainda mais do que no caso de plantas transgénicas”, vinca a Dra. Janet Cotter, da Unidade Científica do Greenpeace Internacional.

Já Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos, afirma que: “Não devemos tolerar experiências irresponsáveis que se traduzirão inevitavelmente na libertação acidental de animais transgénicos no ambiente. Com os ecossistemas planetários já sob stress, qualquer dano adicional irreversível é inaceitável. Para além disso, nenhum consumidor deseja comer azeitonas recheadas com larvas GM. É tempo de se investir em meios de proteção das culturas que sejam holísticos, sustentáveis e conjuguem os objetivos de consumidores e agricultores.”

Também Victor Gonzálvez, da SEAE (Sociedad Española para la Agricultura Ecológica), refere que “A Espanha é o maior produtor mundial de azeite biológico, com uma área de 170 000 hectares. Se as azeitonas de alguma forma entrarem em contacto com as novas larvas GM os produtores biológicos podem perder a certificação e os consumidores podem perder a confiança na agricultura biológica. Além disso,o impacto da saúde humana não foi devidamente avaliado.”

“Esta tecnologia parece ter o potencial de pôr em perigo a biodiversidade, a agricultura biológica e o futuro da produção de azeitona e azeite na região mediterrânica. Presumimos que esta experiência está a ser desencadeada pelo interesse da Oxitec e dos seus investidores em tirar o máximo lucro desta tecnologia patenteada”, diz, por sua vez, Cristoph Then, da Testbiotech, frisando que “É tempo de dar um sinal claro de que estes organismos não devem ser libertados. Em lugar algum. Nunca.”

No comunicado é assinalado que “não é ainda claro se os ensaios foram já autorizados pelas autoridades espanholas” e que, “se o foram, trata-se da primeira libertação de animais GM na UE desde sempre”.

(Relembre este artigo)

Em 2013, o primeiro pedido da Oxitec para levar a cabo ensaios de campo em Espanha foi retirado após protestos públicos. O recente pedido foi feito em Março de 2015. No entanto, só apareceu no registo público da União Europeia na semana passada. O início da libertação está previsto para este mês de Julho de 2015”, referem as organizações ambientais.

Fonte: esquerda.net

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