Polémico Sociedade

Processo contra a Monsanto é ignorado pelos Media

monsanto

O que acontece quando um advogado corajoso e alguns cidadãos tentam derrubar a Monsanto? Os ‘grandes media’ não noticiam o assunto.

Esforços foram feitos para divulgar uma acção colectiva contra a Monsanto por propaganda enganosa relacionado ao agro-tóxico Glifosato, comercializado às toneladas no Brasil como ‘Roundup’, que deu entrada no Tribunal de Justiça de Los Angeles no dia 20 de Abril de 2015 foram rejeitados por quase todos os meios de comunicação.

Nos Estados Unidos, a proposta do deputado federal Mike Pompeo, dos Republicanos é chamada de DARK Act (Deny Americans the Right to Know), HR 1599, que iria dar imunidade jurídica à Monsanto e impedir que os Estados exigissem a rotulagem dos transgénicos.

Poder-se-ia pensar que noticiar sobre algo que o mundo inteiro quer ver – o primeiro passo para a queda efectiva da Monsanto – seria uma notícia ‘quente’; uma novidade interessante que todos os jornais, emissoras de rádio e blogues iriam querer espalhar a notícia através nas suas páginas com manchetes garrafais? Mas não… somente seis corporações dominam toda a mídia americana, o que significa que não se pode contar com essa ‘sorte’.

Matthew Phillips, o advogado que processa a Monsanto na Califórnia por publicidade enganosa nas embalagens de Roundup, pediu ao LA Times, New York Times, Huffington Post, CNN e Reuters, uma das maiores agências de notícias do mundo para se informarem sobre a acção judicial (Processo nº: BC 578 942), mas todos esses canais de comunicação bloquearam as informações fornecidas por ele.

Quando Christina Sarich, autora do artigo, ligou para Phillips, ele disse-lhe que tentou publicar no verbete sobre a Monsanto na Wikipédia, mas a informação ‘desaparecia’. Ele mencionou também que notou o desaparecimento de mensagens sobre este processo no Facebook.

Phillips aponta que, enquanto a Monsanto puder manter esse processo fora do radar das notícias nacionais dos Estados Unidos, a sua base de mandantes seria relegada apenas para os cidadãos da Califórnia.

    Esta é uma acção judicial clara, que expõe a Monsanto por mentir sobre o Roundup. Ao contrário do que está no rótulo, o Roundup é capaz de identificar e matar enzimas encontradas nos seres humanos – nas nossas bactérias do intestino – e isso explica a indigestão crónica da América”! (referindo-se aos habitantes do Estado Unidos.)
Roundup
Se outros advogados utilizassem o seu processo, escrito em Inglês, desprovido de ‘jurisdiquês’, para encorajar outros a usá-lo como base para que tomassem medidas contra a Monsanto, então de repente o número de pessoas a processar a empresa poderia facilmente ultrapassar a casa dos milhões. Isto é, se se juntasse a todos os consumidores nos Estados Unidos (ou no Brasil), que compraram um frasco de Roundup numa loja de produtos agropecuários (ou como nos USA, uma loja de DIY – Do It Yourself), nos últimos quatro anos, sem suspeitar que poderiam arruinar a sua saúde.

Outra possibilidade, de acordo com Philips, relata Christina, é que a Monsanto poderia tentar ‘empurrar’ o processo, com inúmeros recursos jurídicos, até chegar a um tribunal federal, a fim de tentar contornar um julgamento adverso provável. Mas neste caso, a acção colectiva seria também aberta o outros consumidores, além daqueles que residem na Califórnia. Esta é certamente uma ideia que a Monsanto não quer semeada na psique americana.

Phillips está extremamente confiante de que está numa boa posição em relação à Monsanto, na condução do processo actual, e a salvo de algum juiz que pudesse ser corrompido pela Monsanto.

O seu entusiasmo é palpável, já que muitos cientistas e eméritos professores se ofereceram para serem testemunhas-chave neste processo, quando ele for a júri. O advogado diz que se recusa a entrar num acordo e espera que outros 49 promotores de justiça de outros 49 estados usem o seu caso como jurisprudência. Brinca…

    Quando alegamos que a enzima na qual o Roundup se concentra está presente em seres humanos, é o mesmo que dizer que a Golden Gate Bridge (a ponte ‘Golden Gate’) está localizada na Califórnia.” (Nos Estados Unidos pode-se dizer que todos sabem onde a Golden Gate está localizada.)

Os factos do caso são realmente óbvios

Phillips também afirma que “propaganda enganosa” e “enganadora” são sinónimos de acordo com a lei californiana, de modo que o facto da Monsanto afirmar que existem enzimas no seu produto que não têm como alvo os seres humanos – bem, isso é muito mais que apenas enganosa. Este equívoco óbvio da Monsanto é  um segredo bastante conhecido entre muitos cientistas que são contra os transgénicos. Esta enzima está definitivamente presente em seres humanos.

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Aqui está uma declaração que pode ser «enganosa» quando a Monsanto afirma que, “Roundup tem como alvo uma enzima encontrada apenas em plantas e não em seres humanos ou animais”, que realmente é:

A síntese EPSP, também conhecida como (3-phosphoshikimate 1-carboxyvinyltransferase) é encontrada na microbiota que reside no trato intestinal, e, portanto, a enzima é “encontrada em seres humanos e animais.” É, em parte, responsável pela activação da imunidade e ainda ajuda nosso intestino e o cérebro a comunicarem entre si.

A síntese EPSP é encontrada entre outros micróbios benéficos que produzem neurometabolites, que são neurotransmissores ou moduladores da neuro-transmissão.

Estes poderiam agir directamente sobre terminais nervosos no intestino ou através de células “transdutoras”, tais como as células enterocromafim (células de kulchitsky) presentes em todo o trato intestinal e são acessíveis aos micróbios e estão em contacto com os terminais eferentes e aferentes. Algumas destas células podem também emitir sinais e, por conseguinte, modulara a actividade de células imunitárias.”

Além disso, embora esta parte não esteja a ser utilizada no processo de Phillip:

“Há cada vez mais provas de que a exposição ao herbicida Roundup da Monsanto, pode ser uma causa subjacente de distúrbios do espectro do autismo. O glifosato, o ingrediente activo, atua por inibição do-3-fosfato ácido sintetase (EPSPS sintase) da enzima 5-enolpyruvylshikimic na via do chiquimato que catalisa a produção de aminoácidos aromáticos. Este caminho não existe em animais, mas existe em bactérias, incluindo aqueles que vivem no intestino e são agora conhecidas por serem, tanto uma parte do nosso corpo, como das nossas próprias células. Um dogma amplamente aceito é que o glifosato é seguro, devido à falta da enzima EPSPS no nosso corpo. Este, porém, não se sustenta agora que a importância da nossa microbiota para a nossa fisiologia é clara.”

Embora a Monsanto esteja ‘apenas’ a ser processada por propaganda enganosa neste caso, é um precedente importante para, eventualmente, derrubar um dos gigantes da biotecnologia que está a envenenar o planeta. Deve enviar uma mensagem clara à Dow, Bayer, Cargill e Syngenta também.

Conselho final do advogado?

“O glifosato mata – é feito para tal.”

 

Fonte: revistaecologica

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