Insólito Sociedade

Apple censura notícias em nome do regime chinês

A Apple lançou um novo aplicativo, em Junho deste ano, chamado Apple News App. O aplicativo assemelha-se a um portal de notícias, pelo qual o utilizador pode ter acesso a diversas reportagens através de seu smartphone. Entretanto, o aplicativo tem gerado críticas ao redor do mundo pois, de acordo com uma matéria publicada pelo New York Times, se o utilizador estiver na China, os servidores do aplicativo simplesmente não funcionam.

Não se trata da grande firewall da China em acção, mas sim do próprio software da Apple que deliberadamente impede o acesso às notícias pelos usuários que se encontram dentro do território da China continental.

Foi o que aconteceu a Larry Salibra, o fundador da empresa de testes de software Pay4Bugs. “Eles estão censurando as notícias que carreguei na Internet antes de entrar na China, e guardei no meu celular comprado nos EUA, porque o meu telefone se conectou a um sinal de rede chinês logo junto à fronteira”, escreveu Salibra em um post no Redit.

O que parece ter chocado mais Salibra foi o facto de o conteúdo já ter sido carregado e visualizado fora da China, e ainda assim seu iPhone o impediu de consultar o conteúdo ao detectar que ele se encontrava ao alcance das redes chinesas.

O que podemos esperar da Apple no futuro?

Se este episódio de negação de acesso a conteúdos armazenados na memória do celular se tornar política da Apple, o que poderemos esperar no futuro?

Bem, quem sabe no futuro o dono de um celular ou tablet da Apple necessite viajar para a Arábia Saudita a negócios, e quando quiser matar as saudades de sua família dando uma olhada nas fotos armazenadas na memória do aparelho, descobrirá que não consegue, porque o software da Apple detectou sua esposa ao volante do automóvel, ou sua filha adolescente usando saia até o joelho, circunstâncias proibidas na Arábia Saudita.

Valerá a pena pagar um preço alto a uma empresa que censura o acesso a conteúdos perfeitamente legítimos, sem respeito a direitos fundamentais como liberdade de expressão e privacidade?

Existem outros equipamentos que não estão censurando conteúdos armazenados, e que além disso, permitem outras funcionalidades básicas que a Apple está recusando a seus clientes, como um dispositivo para inserir cartões de memória SD independentes, ou a possibilidade de transferir conteúdos genéricos directamente para a memória do aparelho através da entrada USB.

Uma questão de valores

Quanto vale o mercado chinês? A China passou a ser o segundo maior mercado para a Apple, atrás apenas dos Estados Unidos, rendendo cerca de US$ 13 bilhões no terceiro trimestre deste ano, de acordo com o New York Times.

Diante destes números, pode parecer bom negócio compactuar com os requisitos de censura do regime chinês, para manter os bilhões fluindo e os accionistas felizes.

É possível que os executivos da Apple desconheçam que o regime chinês vem cometendo diversas atrocidades aos direitos humanos. Um dos exemplos mais chamativos é a sistemática colheita de órgãos de pessoas vivas, para que estes sejam vendidos a preços extremamente lucrativos nos hospitais chineses. As vítimas costumam ser prisioneiros de consciência, na maioria das vezes, praticantes de Falun Gong, uma disciplina espiritual de meditação chinesa que começou a ser perseguida em 1999. Desde então, seus adeptos são presos, enviados a campos de trabalho escravo, torturados e assassinados pelo regime comunista chinês.

O acesso livre à informação é essencial para que esses crimes possam ter um fim na China.

Esta política parece ter começado em 2012, quando a Apple retirou da China o aplicativo da NTDTV, um canal de televisão independente que surgiu na China no ano 2000, e devido à censura, foi proibido no país e agora é sediado em Nova York.

Em Julho de 2013, caso semelhante aconteceu, quando a Apple atendeu aos pedidos do regime chinês e retirou o browser OpenDoors da sua loja de aplicativos da China. O browser permitia a rara possibilidade de os internautas Chineses acessarem sites comuns no mundo inteiro, como o Twitter ou o Facebook.

Fonte: EpochTimes

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