Ciência Saúde

Descoberta uma das chaves da saúde humana: o microbioma

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Microbioma: As pesquisas nesta área abrangem surpreendentes possibilidades de tratamento para doenças modernas como diabetes, cancro e obesidade.

A indústria de alimentos pode estar sentada sobre sua próxima mina de ouro – e a maioria de nós provavelmente ainda nem ouviu falar sobre isso. Microbiologistas das maiores empresas de alimentos do mundo estão, por enquanto, trabalhando em pesquisas e desenvolvimentos de alimentos especiais, por isso só podemos adivinhar como estes produtos poderão ser. O que sabemos, até o momento, é que serão inúmeros.

“Nos próximos anos, você ficará perplexo se não encontrar quilómetros de prateleiras de supermercados com produtos que promovem nosso microbioma.”, disse Jeff Leach, fundador do Human Food Project,  um pioneiro no veloz campo de pesquisas que envolvem o microbioma humano.

As pesquisas nesta área abrangem as surpreendentes possibilidades de tratamento médico que se abrem para doenças modernas como diabetes, cancro e obesidade.

Leach, que entrou neste campo há uma década, quando sua filha foi diagnosticada com diabetes tipo 1,  co-inventou um barra de granola – a Food Human Bar – projectada para alimentar os cerca de 100 triliões de micróbios – ou bactérias, archaea, fungos, protistas e vírus – que vivem em nossos corpos. Aparentemente, as nossas células humanas, em número de cerca de 37 triliões, estão em desvantagem  de 3 para 1 em relação aos micróbios. Alguns pesquisadores especulam que essa proporção seja tão alta quanto 10 para 1.

O conhecimento do microbioma avançou rapidamente depois de uma doação de US $ 200 milhões para os Institutos Nacionais de Saúde, em 2007, envolvendo 80 instituições que permitiram aos cientistas sequenciarem amostras do microbioma de cerca de 250 voluntários e estabelecer uma base para um estudo mais aprofundado. Numa pergunta frequente (FAQ) cientistas responderam através  da Academia Americana de Microbiologia dizendo que é “razoável caracterizar o microbioma como sendo um órgão humano recém-descoberto, com uma grande variedade de actividades metabólicas”.

E muitos pesquisadores agora reconhecem que é possível (e, provavelmente, aconselhável) comer alimentos que “alimentem” o nosso microbioma. Deixe de lado os alimentos com baixo teor de gordura, ricos em proteína, pobres em carboidrato, com baixo teor calórico, pouco açúcar ou o seja o que for. Entre na era das bactérias saudáveis, probióticos, prebióticos e alimentos fermentados que promovam um intestino feliz.

Alimentos para seus intestinos

Entre os ingredientes típicos da Human Food Bar, tais como amêndoas, mel, passas e damascos, orientados para as necessidades alimentares específicas de nossos micróbios, dois são pouco conhecidos: uma fibra prebiótica orgânica, conhecida como inulina de agave, e Baobá em pó, que vem de uma das árvores frutíferas da África, rica em vitamina C,  que pode  viver cerca de 1.000 anos.

Os prebióticos são compostos de fibras não-digeríveis, que através da parte superior do trato gastrointestinal estimulam o crescimento de bactérias benéficas no intestino, agindo como alimento para os nossos micróbios. Outros probióticos,  fáceis de encontrar, de acordo com o blog do famoso neurologista Dr. David Perlmutter, são a goma acácia, a raiz de chicória crua, a alcachofra de Jerusalém crua, dente-de-leão verde , alho cru, cebola, alho-poró cru e aspargos. As frutas do Baobá, que são ricas em antioxidantes e fibras solúveis, são ingeridas pelos caçadores hadza,  na Tanzânia, os quais são estudados por Leach. Tradicionalmente, os hadza colhiam tubérculos, frutos silvestres e mel, e utilizavam arco e flecha. Estima-se que eles tenham vivido dessa maneira por um período de cerca de 50.000 anos.

Leach, como parte de seu trabalho com o Human Food Project, recolheu uma série de amostras do microbioma dos hadza. Ele está fascinado com as descobertas de como esta pode ser diferente da dos seres humanos modernos, e o que podemos aprender com isso.

“Provavelmente, a mudança mais drástica já feita na dieta humana é a queda na ingestão de fibras, deixando a nossa microbiota, literalmente, morrendo de fome”, disse Leach, acrescentando que os americanos ingerem, em média, menos de 20 gramas de fibra por dia, enquanto que os hadza alimentam-se com cerca de 50 a 200 gramas diárias.

A Human Food Bar, que tem 9 gramas de fibra, tem o objetivo de alimentar o microbioma, e espera conduzí-lo em direção a sua saúde plena.

“Neste momento, nossos produtos só são vendidos on-line, sendo que sua promoção é direccionada aos 150.000 inscritos no trabalho com povos indígenas, como os hadza. Logo, as barras de cereais são utilizadas para financiar mais pesquisas.”informou Leach.

Mania probiótica

No ano passado, juntamente com o financiamento do governo para pesquisa institucional, uma florescente indústria de investimento de capitais, com foco exclusivo em investir em pesquisas sobre o microbioma, já começou a tomar forma.

Um anúncio, em Março passado, lançou o primeiro fundo do mundo, o Seventure Partners, focado exclusivamente na pesquisa do microbioma. Este fundo é apoiado pela fabricante de iogurtes Danone, sediada em Paris, que investiu 100 milhões de euros (R$ 446,61 milhões).

Segundo a jornalista Erika Fortune Fry, que visitou instalações da empresa na Holanda, a Danone está usando um tipo de tecnologia altamente sofisticada, que simula o trato gastrointestinal humano para testar como diferentes ingredientes podem reagir no corpo. Eles estão tentando descobrir quais aditivos irão beneficiar o microbioma, e como trazer esses produtos ao mercado.

A Nestlé Health Science, uma subsidiária da Nestlé, investiu € 57.000.000 (R$ 255.000.000) na Seres Health dos Estados Unidos, que está focada no desenvolvimento de um tratamento para a Clostridium difficile (C. diff), uma doença que envolve diarreia infecciosa.

O mercado de probióticos, ou micróbios benéficos, cresceu em quase US$ 30 bilhões no ano passado, de acordo com a BioMedTrends, segundo um relatório da Global Industry Analysts. De acordo com o relatório, a mudança na produção levou a uma proliferação de novos produtos que contenham probióticos, como chocolates, queijos, bolos  e salsichas.

Probióticos naturais, encontrados em muitos alimentos fermentados que podem ser comprados ou feitos em casa, também estão se tornando cada vez mais populares nos Estados Unidos. Estes incluem iogurte com culturas activas probióticas, picles, chás kombucha, tempeh, o repolho coreano condimentado kimchi, chucrute, e as carnes fermentadas em lata.

Mas o que é o microbioma humano?

Os seres humanos são compostos de células humanas e não-humanas. As células humanas, tais como a pele, músculos e as células do sangue, contêm genes, e são conhecidas colectivamente como o genoma humano.

As células não-humanos são as microbianas, que também são codificadas com material genético, e são conhecidas como o microbioma humano. Nós não aprendemos isso na escola, pois essa é uma ciência nova. Temos cerca de 37 trilhões de células humanas e cerca de 100 trilhões de células microbianas em nossos corpos. As células microbianas (micróbios) incluem bactérias, arqueobactérias, fungos, protistas e vírus. As bactérias são, de longe, o micróbio mais comum no microbioma humano. Os micróbios existem na Terra há bilhões de anos, muito antes dos humanos. Eles estão em toda parte: no solo, no oceano, nas tubulações de água, e assim por diante. Há centenas de milhares de tipos de micróbios encontrados na Terra, mas apenas 1.000 tipos são associados com os seres humanos.

O microbioma humano normalmente contém várias centenas de tipos de micróbios, os quais quando somados pesam cerca de 1 k.

A maior concentração de micróbios no corpo humano é encontrada em nossa barriga: no estômago e nos intestinos grosso e delgado.

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