Polémico Saúde

O médico que afirma que os fármacos estão a matar-nos!

Peter-G

Dr. Peter Gotzsche, espera tornar claro a razão pela qual o artigo mais amplamente lido na história da PLoS se intitula “Resultados das pesquisas mais publicadas são falsos”. No relatório, os pesquisadores afirmam que a maioria dos resultados actuais de pesquisas publicados são falsos, e estamos a falar de à mais de 10 anos atrás.

Quando se trata da nossa saúde, tomar a palavra de uma pessoa como doutrina pode não ser a melhor ideia, sejam eles médicos ou não. O que uma pessoa realmente acredita ser o melhor rumo no tratamento de uma doença pode ser algo que outra pessoa não recomendaria, dependendo de uma gama complexa de factores, incluindo onde e como eles foram educados e, em particular, quem financiou a educação. Na verdade, muitas preocupações foram levantadas sobre o uso de produtos farmacêuticos recomendados pela indústria, muitas vezes pelos próprios médicos que foram orientados para usá-los. Temos agora, para além disso, uma enorme quantidade de evidências para corroborar o que muitos destes profissionais têm vindo a tentar dizer-nos ao longo de décadas:

A profissão médica está a ser comprada pela indústria farmacêutica, não só em termos das práticas na medicina, mas também em termos de ensino e pesquisa. As instituições académicas estão a actuar como agentes a soldo da indústria farmacêutica. Eu acho que é uma vergonha. – Arnold Seymour Relman (1923-2014)

O Dr. Peter Gotzsche, co-fundador da Cochrane Collaboration (a organização mais proeminente do mundo na avaliação das evidências médicas), espera tornar claro este problema. Ele está actualmente a trabalhar para informar o mundo sobre os perigos associados a vários medicamentos farmacêuticos. Com base na sua pesquisa, ele estima que 100.000 pessoas, apenas nos Estados Unidos, morrem a cada ano devido aos efeitos colaterais dos medicamentos usados ​​correctamente, realçando que “é notável que ainda ninguém tenha levantado uma sobrancelha quando matamos muitos dos nossos próprios cidadãos com fármacos”. Ele publicou um artigo no ano passado na revista Lancet argumentando que o uso de antidepressivos está a fazer mais mal do que bem, e tendo em consideração as  recentes divulgações sobre os fármacos antidepressivos, parece estar correcto.

O exemplo mais recente deste tipo de corrupção relativa aos antidepressivos, vem de um estudo que foi publicado na semana passada no British Medical Journal por pesquisadores do Centro Cochrane Nordic em Copenhaga. O estudo demonstrou que as empresas farmacêuticas não divulgaram todas as informações sobre os resultados de testes com fármacos:

[Este estudo] confirma que a dimensão efectiva dos danos causados por antidepressivos não é relatado. Eles não são relatados na literatura publicada, nós sabemos disso – e parece que eles não estão devidamente relatados nos relatórios de estudos clínicos que vão para os reguladores.

Os investigadores analisaram documentos de 70 diferentes estudos aleatórios controlados por placebo sobre inibidores selectivos da recaptação da serotonina, e inibidores da recaptação de noradrenalina (IRSN), e descobriram que a extensão dos efeitos secundários graves reportada pelos relatórios de estudos clínicos foi subestimada. Estes são os relatórios enviados para as principais autoridades de saúde como a Food and Drug Administration dos EUA.

Tamang Sharma, um estudante de Doutoramento em Cochrane e principal autor do estudo, disse:

Descobrimos que muitos dos apêndices muitas vezes só estão disponíveis mediante pedido, às autoridades, e as autoridades não os tinham requerido. Na verdade eu fiquei um pouco receoso sobre o quanto a realidade poderia ser má, se tivéssemos os dados completos.

Esta não é a primeira vez que as companhias farmacêuticas têm tentado manipular a ciência, a fim de colocarem antidepressivos nas prateleiras. Foi à apenas um par de meses atrás que uma revisão independente descobriu que o vulgarmente prescrito antidepressivo Paxil (paroxetina) não é seguro para os adolescentes, apesar da grande quantidade de literatura que já havia sugerido isso anteriormente. O estudo de 2001 que foi financiado pela GlaxoSmithKline, descobriu que esses fármacos eram completamente seguros, e usou essa “ciência” para comercializar o Paxil, rotulando-o como seguro para os adolescentes.

As duas principais áreas de interesse da Götze são antidepressivos e “não-esteróides anti-inflamatórios” analgésicos como o ibuprofeno, Tylenol, celecoxib, e diclofenaco. O vioxx é outro, que foi efectivamente retirado depois de ter sido descoberto que causou mais de 100.000 casos de doença cardíaca grave nos Estados Unidos, durante os cinco anos que circulou no mercado.

De acordo com Gotzche, essas mortes são apenas a ponta do iceberg quando falamos do fracasso do processo de regulamentação de medicamentos para proteger os pacientes:

Estes termos para os nossos medicamentos são inventados pela indústria farmacêutica. Eles têm um enorme interesse financeiro em rotular essas coisas como anti-inflamatórias. Eles levaram os médicos a acreditar que esses fármacos, de alguma forma, também tinham um efeito sobre o processo da doença e reduzir os danos nas articulações.

No seu artigo, ele também destaca que os antidepressivos têm substituído os fármacos que foram identificados como prejudiciais, como o Valium e o Xanax, mas são tão viciantes e os seus efeitos colaterais tão perigosos como os anteriores.

Segundo o Professor Gotzche, aqui está uma lista de coisas que se deve evitar:

  • Antidepressivos, porque eles provavelmente não funcionam em casos graves de depressão;
  • Todos os fármacos para crianças activos cerebralmente;
  • Os antipsicóticos e outros medicamentos activos cerebralmente para idosos. As drogas psicotrópicas devem ser utilizadas tão pouco quanto possível, e principalmente em situações muito agudas, visto que são muito prejudiciais quando utilizadas durante períodos muito longos;
  • Anti-inflamatórios não-esteróides usados ​​para a artrite, dores musculares e dores de cabeça, incluindo a utilização de ibuprofeno sem receita. Estes fármacos devem ser utilizados tão pouco quanto possível;
  • Mamografias de rastreio, uma vez que não prolongam a vida, e tornam muitas mulheres saudáveis em mulheres ​​doentes através de exames de diagnóstico excessivos e levam à morte prematura para algumas, porque a radioterapia e a quimioterapia aumenta a mortalidade, quando utilizada para cancros inofensivos detectados no rastreio;
  • Medicamentos para a incontinência urinária, uma vez que muito provavelmente não funcionam;

As provas contra a ciência são simples: grande parte da literatura científica, talvez metade, pode ser simplesmente falsa. Estudos duvidosos com amostras de tamanho reduzido, efeitos reduzidos ou irrelevantes, análises exploratórias inválidas, e os conflitos flagrantes de interesse, juntamente com uma obsessão para perseguir as tendências da moda com relevância duvidosa, encaminharam a ciência de volta para a escuridão – Dr. Richard Horton.

Fonte: PFC

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  • Dani Silva
    TODOS os fármacos deveriam ser usados o mínimo possível!!!

    O grande problema é que as pessoas fazem auto-medicação, tomam medicamentos quando lhes dói uma unha, e o corpo torna-se dependente destes. Medicamentos são DROGAS e devem ser utilizados o mínimo possível, e para fins específicos.

    Além disso, a medicina não é uma ciência exacta, e uma grande parte dos médicos está formatada para tratar tudo com medicação… não sabendo que a alimentação e o exercício são os melhores “medicamentos”.

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