Natureza

Terras secas podem ser o futuro do nosso clima

Imagens da Google revelam a existência de 467 milhões de novos hectares florestais em terras secas, uma área que equivale a 60% da Austrália e que pode ser crucial para travar as mudanças climáticas

Estas novas florestas foram descobertas pelo levantamento das Dry Lands. Elas recebem muito menos água em precipitação do que aquilo que perdem pela transpiração das plantas, relata a revista Science. Pesquisas anteriores não revelaram nem 45% das florestas agora encontradas nestas terras secas.

O projecto de investigação foi promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e envolveu mais de 200 cientistas, estudantes e investigadores de 15 organizações diferente, incluindo o professor da Universidade Politécnica de Madrid (UPM), Luis Gonzaga Garcia Sentinel. O estudo utilizou imagens de alta resolução do Google Earth Engine, capturadas pelo satélite DigitalGlobe.

Os 467 milhões de hectares não são contínuos. Eles representam a soma de todas as áreas descobertas nos vários continentes, mas principalmente na África Subsariana, em torno do Mediterrâneo, a região central da índia, Austrália literal, oeste da América do Sul, nordeste do Brasil, norte da Colômbia e Venezuela e regiões do norte florestal do Canadá e Rússia.

Com todos os avanços tecnológicos no que toca ao mapeamento, é incrível como é que estas florestas ficaram escondidas durante tanto tempo. Porém, devido à baixa densidade das árvores a sua medição era difícil.

“Esperávamos menos”, reconhece a directora do Instituto Argentino de Investigação de Zonas Áridas e co-autora do estudo, Elena María Abraham.

O importante é que através da identificação de uma maior área florestal seca,estamos a redesenhar o mapa das terras secas. Perante um cenário de alterações climáticas e desertificação nas terras secas irão expandir é crucial saber o recurso mais importante que temos, como é o caso destas terras”, acrescentou.

 

A singularidade das Dry Lands

Este tipo de terras compõe 40% do planeta terrestre. Têm mais capacidade para suportar árvores e florestas do que aquilo que antes se pensava e são uma oportunidade única para combater as alterações climáticas através da sua preservação, até agora ignorado.

Alguns dos ecossistemas mais ameaçados encontram-se em terras secas e muitos deles enfrentam a pressão das alterações climáticas e da actividade humana, que as tornarão ainda mais quentes e secas. Podem aumentar 11% a 23% até ao final deste século, o que significaria que cobririam mais de metade do nosso planeta.

É essencial monitorizar a saúde destas florestas que são agora conhecidas e aproveitar as potencialidades destas regiões para lutar contra a desertificação e contra as alterações climáticas.

Estas zonas contam com 1.327 milhões de hectares de arvoredo, o que representa 9% da superfície florestal do planeta. Assim está realçada a necessidade de conservação e crescimento das florestas nestas áreas.

Esta descoberta irá mudar a precisão dos modelos utilizados para calcular a quantidade de carbono armazenado na Terra, o que ajudará na definição do carbono dos vários países, que têm como meta o cumprimento do acordado no Protocolo de Quioto e no Acordo de Paris.

Embora ninguém se questione sobre o aumento das emissões de CO2 para a atmosfera, a capacidade da biosfera para absorver carbono ainda apresenta muitas dúvidas. Os nossos resultados mostram que essa capacidade é maior do que aquilo que esperávamos”, explicou Jean-François Bastin, o investigador da FAO e o principal autor do estudo.

 

Fonte: Observador

 
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