Saúde

Ébola: o que é, como se transmite e como prevenir

O surto de ébola na África Ocidental levou a Organização Mundial de Saúde a decretar o estado de emergência de saúde pública internacional. Em Portugal, o risco de contágio é baixo e estão assegurados os mecanismos de resposta.

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Se para muitos o vírus Ébola é um embuste, outros há que se preocupam alarmadamente com o aparente surto. De uma forma ou de outra toda a história está crivada de coisas mal explicadas e guerras de países e corporações farmacêuticas.

A actual epidemia de ébola começou na Guiné-Conacri em Dezembro de 2013 e alastrou-se à Libéria, à Serra Leoa e à Nigéria. Até agora, foram registados 1848 casos e 1013 pessoas morreram. É o surto mais devastador desde o aparecimento do vírus, em 1976. A gravidade está relacionada com as características do vírus e com as condições socioeconómicas e sanitárias dos países afectados.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou tratar-se de uma situação de “extraordinária” e “um risco” para outros países. Por isso, declarou o estado de emergência de saúde pública internacional. O agravamento da propagação poderá ter sérias implicações. Para conter o risco, a OMS apelou a uma acção coordenada a nível global e apresentou várias recomendações, que foram reforçadas em Portugal pela Direcção-Geral de Saúde (DGS). Não estão interditas as viagens para as áreas atingidas e o comércio é permitido. Mas os cidadãos são aconselhados a fazê-lo apenas em situações essenciais. Devem procurar aconselhamento médico em caso de exposição ao vírus ou se desenvolverem os sintomas da doença.

A DGS afirma que, até agora, não há registo de casos em Portugal e o perigo de contágio é baixo na ausência de contacto directo com fluidos corporais. De qualquer forma, estão garantidos os mecanismos para detectar, investigar, confirmar laboratorialmente e gerir os casos suspeitos. As respostas estão articuladas com outros parceiros, como as autoridades aeroportuárias e portuárias. A Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) está preparada para responder às dúvidas, aconselhar e encaminhar as situações específicas. Foi criado um dispositivo de coordenação que se mantém alerta e que mobilizará os recursos adequados, se necessário. A DGS vai actualizar regularmente os profissionais da área e os cidadãos sobre o risco de infecção e as respostas apropriadas.

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Transmissão e sintomas
A infecção com o vírus do ébola resulta do contacto directo com fluidos corporais dos doentes (saliva, transpiração, sangue, urina, fezes, vómito e sémen). Tocar em materiais usados para tratá-los (como luvas de látex ou agulhas) ou nas suas roupas também implica risco de contágio. Se uma pessoa estiver infectada mas não desenvolver os sintomas, não representa perigo de transmissão. Está também excluída a propagação pelo ar, pela comida ou pela água.

A doença tem um período de incubação que varia entre 2 e 21 dias. A transmissão por via sexual pode ocorrer até 7 semanas após a recuperação clínica.

O vírus provoca uma febre hemorrágica, com sintomas que incluem febre elevada de início súbito, mal-estar geral, dores (cabeça, garganta, peito, abdominais, musculares), manchas na pele, náuseas, vómitos, diarreia e hemorragias (não relacionadas com traumatismos).

Doença sem cura
Ainda não há solução para o vírus do ébola. Após os primeiros sintomas (dores, fraqueza e febre alta), segue-se uma fase de diarreia, vómitos, erupção cutânea e insuficiência dos rins e do fígado. Nalguns casos, podem desenvolver-se hemorragias internas e externas. Mas a maioria dos pacientes morre devido ao choque provocado pela pressão arterial baixa. Em situações de surto, a taxa de mortalidade de pessoas infectadas chega aos 90%. Os tratamentos possíveis são de suporte e passam pela hidratação do doente, pela manutenção dos níveis de oxigénio, pelo controlo da pressão arterial e por tratar as complicações da infecção.

Existem medicamentos experimentais, que ainda não foram sujeitos aos ensaios clínicos protocolares, pelo que a sua utilização levanta reticências. Mas a gravidade do actual surto levou a OMS a considerar ético o recurso a esses tratamentos.

Recomendações para viajantes
Já foram accionadas algumas medidas de controlo na África Ocidental, nomeadamente isolamento, monitorização activa dos casos e vigilância reforçada nas fronteiras. Se tem mesmo de viajar para um dos países afectados, siga os conselhos da DGS.

  • Cumpra as regras de higiene básicas indicadas pelas autoridades de saúde locais. A principal é lavar as mãos com frequência, pois o vírus é facilmente eliminado pela acção do sabão, da lixívia, da secagem ou da luz solar (sobrevive pouco tempo em superfícies expostas ao sol).
  • Evite estar próximo de pessoas com suspeita ou confirmação da doença. A regra também se aplica aos cadáveres, antes e durante as cerimónias fúnebres.
  • Não mexa em nenhum material ou objecto usado no tratamento dos doentes.
  • Não contacte com animais selvagens, vivos ou mortos (macacos, morcegos, antílopes, entre outros), nem consuma a sua carne.
  • Cozinhe muito bem os alimentos de origem animal (carne e leite) antes de os consumir. A refrigeração e a congelação não inactivam o vírus.
  • Procure imediatamente um médico se tiver algum dos sintomas da doença.
  • Durante a viagem (aérea ou marítima), informe a tripulação se sentir algum sintoma.
  • Vigie o seu estado de saúde nos 21 dias após a entrada em Portugal. Informe a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) se apresentar algum indício da doença ou em caso de contacto directo com algum doente sem protecção adequada. Relate a viagem recente e descreva a sintomatologia.

Embuste ou não, patenteada ou não, lúgubre técnica de venda de vacinas aos países civilizados ou não… esteja pelo menos informado!

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