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Falsa propaganda anti-Síria online afecta milhões… afectou-o a si?

Milhões de visitantes do Youtube foram enganados pelo vídeo ‘Syrian Hero Boy’ onde uma criança consegue salvar uma pequena miúda enquanto se encontra debaixo de fogo de ‘Snipers’.

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Já havíamos avisado antes com as falsas imagens que corriam o facebook, mas tudo subiu de tom e gravidade. O seguinte vídeo, exposto de forma leviana por toda a Internet, contém imagens que aparentemente são incomodativas e podem ferir susceptibilidades… veja-o sabendo que está a ver uma MENTIRA! (atenção que não sabemos quanto tempo o vídeo abaixo vai funcionar)

Este vídeo arrecadou  milhões de visualizações e uma exposição no Facebook, Twitter e outras redes sociais no espaço de horas e a comunicação social mundial (mainstream) correram para a divulgar pelos vários canais televisivos e websites (BBC, CNN, NBC, etc). O governo americano expôs o vídeo como prova inequívoca sobre a depravação do regime de Assad e como se deveria fazer algo rapidamente contra os ‘monstros que fazem das crianças alvos intencionais de guerra’.

O International Business Times (com ligação conhecida ao governo) afirmou: «Este incidente não é o primeiro vindo de atiradores pro-Assad. O Regime tem as crianças como alvo há mais de quatro anos nesta guerra civil sangrenta na Síria»

O The Telegraph afirma: «Não existe qualquer dúvida da autenticidade destas imagens cruéis.»

O Oxford Research Group acrescenta: «Desde 2011 que mais de 11000 crianças morreram neste país assolado pela guerra em ataques semelhantes de ‘snipers’ (…) 389 crianças abaixo dos 17 anos foram mortas pelos atiradores do governo de Bashar Al-Assad»

A CNN relata: «Um relatório das nações unidas aponta os soldados sírios como utilizando crianças de forma desumana, nomeadamente como escudo humano.»

O Departamento de Estado Norte-Americano enviou ‘tweets’ para todo o mundo sobre este vídeo e enviou pareceres de necessidade de resposta urgente.

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MAS O VÍDEO É FALSO!

Ao que parece o Norwegian Film Institute financiado pelo governo Norueguês (membro da NATO) pagou $30.000 dólares pela produção do filme na Malta e decidiu tornar público sem informar que se tratava de ficção. Alegam que o realizador avisou que não ia revelar que era uma filmagem fictícia e que não levantaram qualquer objecção a isso.

Eis uma parte da filmagem…

Lars Klevberg, um realizador norueguês de Oslo, escreveu o script para este vídeo e alega que o fez com a intenção de alertar para o papel das crianças em zonas de conflito em geral.

«Se eu podia fazer um filme que parecesse real, as pessoas iriam divulgar e reagir com esperança. Filmamos na Malta em Maio deste ano num cenário utilizado para os filmes Tróia e Gladiador. O rapaz e a rapariga são actores profissionais de Malta e as vozes de fundo são de refugiados sírios reais em Malta.»

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Perante as imensas acusações John Einar Hage, do supracitado instituto diz que «as crianças salvarem-se do tiroteio era indício suficiente para se notar que era falso (…) não foi cínico da nossa parte querer chamar à atenção já que as motivações são honestas.»

Foi Ase Meyer, do mesmo instituto, que exerceu pressão para que a verdade fosse revelada já que fora uma decisão do realizador.

Desde que foi publicado o vídeo recebeu mais de 6 milhões de visualizações, largos milhões de tweets e partilhas de facebook tornando-se viral e criando um enorme clima de consternação e raiva contra o regime sírio… esta raiva não irá ser apagada de todos porque decerto uma grande maioria nunca saberá que o filme era falso.

Klevberg parabeniza-se: Estamos muito contentes com o resultado!

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Do outro lado jornalistas ligados à investigação de conflitos e experts da área alertam que foi uma publicação irresponsável e muito perigosa. Eliot Higgins afirma:

«Penso que foram irresponsáveis e contribuíram apenas para aumentar a dificuldade que temos em fazer chegar imagens reais para alertar o mundo. Agora vão pôr à prova a autenticidade e não o que se passa realmente nos locais. Na maioria das vezes, na Síria, a câmara mais à mão é um smartphone… agora vai ser muito mais difícil… obrigado por nos tornarem a vida mais difícil idiotas!»

Fontes: no texto

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