Polémico Saúde

Tomar uma única vez um antidepressivo pode mudar o seu cérebro

Tudo ocorre no espaço de poucas horas. Cientistas afirmam que uma toma única de alguns antidepressivos pode mudar profundamente a forma como o cérebro funciona.

 

Uma única dose de antidepressivos pode alterar a comunicação entre os neurónios e alterar a arquitectura funcional do cérebro. A descoberta foi feita por cientistas do Instituto Max Planck em Leipzig (Alemanha) que examinaram a actividade neurológica de 22 pessoas antes e depois da toma de uma classe de antidepressivos que usa como princípio activo os inibidores selectivos da recaptação de serotonina, que bloqueiam o transportador desta substância e desse modo fazem aumentar a concentração do neurotransmissor no cérebro.

pills3_1O estudo publicado no jornal Current Biology demonstrou que poucas horas após a toma desta classe de antidepressivos — onde se incluem o Prozac e o Zoloft — todos os participantes apresentaram, num espaço de horas, alterações importantes na comunicação cerebral. Observaram a redução de algumas funções cerebrais e o aumento de outras, nomeadamente no cerebelo, zona responsável pelo controlo motor involuntário e equilíbrio.

A serotonina é um neurotransmissor muito importante na comunicação celular e o responsável, entre outros, pela boa disposição. Algumas drogas, como o ecstasy, actuam precisamente sobre os receptores da serotonina, cujo decréscimo está associado a diversas doenças, nomeadamente a estados depressivos. Acontece que a química do cérebro é muito complexa, nem tão pouco existe apenas “um tipo” de depressão, nem a reacção de cada pessoa a um medicamento é a mesma. Por isso o resultado obtido por este estudo pode vir a ajudar cientistas e médicos a elaborar com mais precisão a composição farmacológica dos antidepressivos e a estabelecer quais os princípios activos mais adequados para cada estado depressivo.

O consumo de psicofármacos (entre eles estão os antidepressivos) tem aumentado em todo o mundo. Estima-se que 10% dos norte-americanos os tomam e em Portugal o seu consumo quase quadruplicou entre 2000 e 2013. O Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento) determinou que as causas para este aumento não estão relacionadas com a crise financeira, mas sim com a facilidade de acesso aos medicamentos e aumento da duração da toma. O relatório completo pode ser consultado aqui.

Fonte: Observador

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  • Realmente muito interessante a matéria e com certeza o uso dos medicamentos antidepressivo modificam as transmissões de cerebrais e está cada vez mais alto o uso deles.
    Aqui no Uruguay não é diferente e muitas vezes ainda acontece a automedicação o que é um problema gravissímo.

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