Saúde

Um cancro travado com um simples antibiótico

Uma equipa de investigadores descobriu uma ligação entre uma bactéria e Cancro intestinal que pode levar a que um dia se usem antibióticos no tratamento dos tumores.

Uma equipa internacional de cientistas conseguiu travar em 30% o crescimento de tumores intestinais em ratos, com um antibiótico usado no tratamento de DSTs e outras infecções bacterianas. O segredo do feito está, precisamente, numa bactéria — que até é uma residente habitual das nossas bocas.

Um estudo, publicado na revista Science, revela que a Fusobacterium nucleatum, que costuma viver naquele espaço entre os dentes e as gengivas (e por vezes nos causa infecções nas mesmas), foi detectada em 70% de 200 tumores colo-rectais, os quais matam 774 mil pessoas por ano. E não só: os investigadores também encontraram a bactéria em metástases — isto é, formações de novos tumores a partir de outro — no fígado.

A ‘viagem’ das bactérias com as células cancerígenas sugere que estas, “mais do que companheiras de viagem, podem ser impulsionadoras destas metástases”, disse Paolo Nuciforo, um dos autores do estudo. Esta não é a primeira vez que se faz a associação entre bactérias e cancro: a Helycobacter pylori é considerada a principal causa de cancro do estômago. “Agora estamos a constatar a relação entre a Fusobacterium e o cancro colo-rectal”, afirma Nuciforo. Se esta não existisse, explica, “seria quase impossível que a flora microbiana de um tumor no cólon fosse igual à de um tumor no fígado”.

 

 

Constatada a relação, os investigadores decidiram fazer uma experiência. Injectaram os tumores colo-rectais humanos em ratos e trataram-nos com o tal antibiótico, chamado Metronidazol, que travou em 30% o crescimento dos tumores.

 

 

Este resultado levanta a possibilidade de se combinar antibióticos desenvolvidos especificamente para combater a Fusobacterium com quimioterapia. Há tratamentos de cancro do estômago que até já usam antibióticos como “tratamento preventivo”, explica Nuciforo. “Para confirmar isto precisamos de fazer mais testes”, diz o investigador. Se for esse o caso, afirma, será possível fazer o mesmo com a Fusobacterium que se faz no cancro gástrico.

 

Fonte: Observador

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